Fora da casinha ou fora da lei: qual Bolsonaro é o líder da oposição a Lula?
Os maiores cabos eleitorais de Lula continuam sendo Jair Messias Bolsonaro e os filhos malucos
Não bastasse o show de horrores protagonizado por Eduardo Bolsonaro – o camisa 10 de Lula – desde que se mandou para os EUA e tornou-se o primeiro e único PAD (parlamentar à distância) do mundo, encerrando a trajetória contínua de desaprovação do petista, colocando-o no páreo para 2026 novamente, e não bastasse as trapalhadas da bancada bolsonarista no Congresso, apoiando o tarifaço trumpista e as sanções da Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras, bem como a tentativa de emplacar as PECs da Blindagem e da Anistia, a despeito da maciça reprovação dos temas pela população, agora é o próprio Jair, o “mito”, a atentar não apenas contra si – o que já seria patético o suficiente -, mas contra os próprios aliados (postulantes ao Planalto), que insistem em, publicamente, manter-se na condição de subalternos menores, “postes” de Bolsonaro à la Fernando Haddad (de Lula) em 2018.
A última investida auto exterminadora ocorreu na tarde e até a madrugada de sexta-feira, 21, para sábado, 22, quando um aloprado Jair (até aí, nada de novo, sempre foi) resolveu se livrar de sua tornozeleira eletrônica – medida cautelar imposta pelo STF como opção menos gravosa à reclusão -, torrando-a com um ferro de solda durante horas, até que o circuito de segurança emitisse um alarme ao centro de monitoramento do sistema, e Jair Bolsonaro recebesse a visita de uma agente de segurança, que constatou a tentativa de violação e ainda ouviu do próprio a confissão do delito.
Quando a ordem de prisão preventiva foi emitida e o feito realizado, por volta das seis da manhã de sábado, a turba bolsonarista saiu, como de costume, atacando Alexandre de Moraes, denunciando arbitrariedades e afrontas aos direitos humanos do patriarca do clã da confusão. Porém, tão logo divulgado o vídeo do próprio Jair confessando a tentativa de fuga do sistema de vigilância, a narrativa mudou e os militantes passaram a divulgar que o “mito” teve um surto psicótico medicamentoso e estava delirando, fora de si, ouvindo vozes.
Suicida político
Bem, ainda que surtos psicóticos sejam possíveis, mesmo que raros e momentâneos – jamais por horas a fio, fazendo alguém operar um equipamento de altíssima precisão, que funciona a temperaturas extremamente elevadas -, a alegação não traz melhor sorte jurídica a Bolsonaro, e tampouco lhe enaltece a posição de líder ouvido e consultado por políticos do PL, como Nikolas Ferreira, que acabara de estar com seu “patrão”, ouvindo dele instruções político-partidárias. Afinal, que diabos de conselhos podem servir a partir de um homem mentalmente perturbado (dessa vez, também sob o aspecto clínico)?
Aqui, vale abrir um parêntese. Desde 2023, Bolsonaro e seus aliados repetem a ladainha de que o ex-presidente é vítima de perseguição, censura, abuso de autoridade e vingança institucional. É o mantra. Mas a cada episódio, a cada live, a cada vídeo vazado ou confissão involuntária, o próprio Jair trata de dinamitar a narrativa. Ele mesmo fornece a munição, acende o pavio e atira no próprio pé. A lógica do martírio exige disciplina, estratégia, autocontrole – atributos inexistentes no bolsonarismo, que opera no improviso e no caos, como se liderança política fosse uma espécie de reality show permanente.
Se Jair Bolsonaro não é criminoso por atentar contra uma medida cautelar imposta por força de decisão judicial, mas um senhor sofrendo de alguma forma de demência, evidentemente não reúne condições para liderar a oposição a Lula em 2026. Lado oposto, se goza de plenas faculdades mentais e sabe o que está fazendo, então se trata de um contraventor confesso que, além de condenado a mais de 27 anos de prisão por tramar e atentar contra o Estado Democrático de Direito, aí é que não pode mesmo ser o guru da “tchurma” antipetista.
Lula deita e rola
O ponto central, e que ninguém na oposição ousa enfrentar, é simples: qual Bolsonaro está no comando hoje? O inelegível que deliberadamente rompe tornozeleira eletrônica? O líder político que orienta deputados a votarem PECs de rejeição popular? O idoso confuso que delira madrugada adentro e ouve vozes? O estrategista 4D, que afirma ser perseguido? Ou o sabotador de si mesmo, que transforma cada erro em manchete para o lulopetismo?
A oposição, que já era e é frágil, fica ainda mais ridícula quando se ajoelha diante de uma figura que oscila entre autoindulgência, paranoia e vandalismo institucional. A história política brasileira é pródiga em bizarrices, excentricidades e personagens folclóricos. Mas a família Bolsonaro se supera. Se Eduardo Bolsonaro meteu o pai na prisão domiciliar, Flávio o enviou para a carceragem especial, e ambos são luxuosamente auxiliados pelo próprio Jair.
Como uma oposição dessas, Lula pode fazer como time ruim e jogar apenas no erro do adversário, sem se expor ou precisar atacar. E essa, talvez, seja a parte mais constrangedora dessa história toda: os maiores cabos eleitorais de Lula continuam sendo Jair Messias Bolsonaro e os filhos malucos.
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Comentários (5)
Alice
27.11.2025 06:03Parabéns Ricardo, disse tudo, análise perfeita. Chega desta familia louca
MARCEL SILVIO HIRSCH
26.11.2025 17:37Novamente parabéns pela tua capacidade de descrever o manicômio político desta linda nação propositalmente sem educação.
Eliane ☆
24.11.2025 16:07Os Bolsonaro, eternos cabos eleitorais do Lula. Que espécie de oposição é essa. Certamente que Bolsonaro nunca teve o seu juízo perfeito. Mas creio que ele está pior. Ele sempre foi paranoico. Não duvido que tenha tido algum surto por excesso de remédios. Eu fico atordoada com dipirona. No entanto, nada justifica toda essa alopragem.
Clayton De Souza pontes
24.11.2025 13:50Bolsonaro e seus filhos têm telhado de vidro. Entregaram o poder pro descondenado e agora só se afundam nas próprias trapalhadas
Lucas Parnoff
24.11.2025 13:38Só li verdades aqui nesse artigo. Realmente não importa o quanto os influenciadores continuem passando pano, quem pesquisa um pouco só vê bizzarices por parte da "família santa"(Bolsonaro). E os adversários quando atacam, também só fazem besteira. Precisamos ficar cada vez mais longe do Bolsopetismo, que só faz nossa capacidade de raciocínio declinar.