Bolsonaro violou tornozeleira “conscientemente”, diz Moraes
Defesa de Bolsonaro classificou o episódio um quadro de “confusão mental” provocado pela interação de medicamentos
Ao votar nesta segunda-feira, 24, pela manutenção da prisão preventiva de Jair Bolsonaro (PL), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, afirmou que o ex-presidente violou “dolosa e conscientemente” a tornozeleira eletrônica.
“A continuidade no desrespeito às medidas cautelares, entretanto, não cessou. Pelo contrário, ampliou se na última sexta-feira, dia 21/11, quando JAIR MESSIAS BOLSONARO violou dolosa e conscientemente o equipamento de monitoramento eletrônico, conforme comprova o relatório da SEAP/DF acerca da monitoração eletrônica de JAIR MESSIAS BOLSONARO (Prontuário: 193.317 – STF), indicando que o equipamento foi violado.
O relatório, juntado em 22/11/2025, apontou que ‘o equipamento possuía sinais claros e importantes de avaria. Haviam marcas (sic) de queimaduras em toda sua circunferência, no local do encaixe/fechamento do case’, bem como, ‘no momento da análise, o monitorado foi questionado acerca do instrumento utilizado. Em reposta, informou que fez uso de ferro de solda para tentar abrir o equipamento’.
Saliente-se, ainda, que o relatório da SEAP/DF juntou aos autos um vídeo, onde a Diretora ajunta do CIME fez a vistoria do equipamento, havendo, inclusive, a confissão do próprio JAIR MESSIAS BOLSONARO sobre a violação do equipamento.”
Confusão mental?
O ex-presidente Jair Bolsonaro utilizou um ferro de solda para tentar abrir a tornozeleira.
Em audiência de custódia, ele alegou ter sofrido uma “certa paranoia”.
“Indagado acerca do equipamento de monitoramento eletrônico, o depoente respondeu que teve uma ‘certa paranoia’ de sexta para sábado em razão de medicamentos que tem tomado receitados por médicos diferentes e que interagiram de forma inadequada (pregabalina e sertralina); que tem o sono ‘picado’ e não dorme direito resolvendo, então, com um ferro de soldar, mexer na tornozeleira, pois tem curso de operação desse tipo de equipamento”, diz o termo de audiência de custódia, em que o ministro do STF Alexandre de Moraes aparece como relator.
“Afirmou o depoente que, por volta de meia-noite mexeu na tornozeleira, depois ‘caindo na razão’ e cessando o uso da solda, ocasião em que comunicou os agentes de sua custódia”, segue o documento.
A defesa do ex-presidente afirmou ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, que o episódio registrado pelo sistema de monitoramento não representou tentativa de rompimento ou retirada do equipamento, mas resultado de um quadro de “confusão mental” provocado pela interação de medicamentos.
A defesa sustentou ainda que o vídeo anexado pela autoridade penitenciária mostra Bolsonaro afirmando ter usado um “ferro quente” na tampa da tornozeleira, mas sem danos à pulseira, e com fala “arrastada e confusa”.
“Nada, na ação descrita nos documentos produzidos pela SEAP, narra uma tentativa de fuga ou de desligamento da tornozeleira eletrônica. Muito pelo contrário, expõe um comportamento ilógico e que pode ser explicado pelo possível quadro de confusão mental causado pelos medicamentos ingeridos pelo Peticionário, sua idade avançada e o estresse a que está inequivocamente submetido”, argumentam os advogados.
Além dos esclarecimentos, a defesa do ex-presidente reforçou pedido de prisão domiciliar humanitária.
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