Pet influencer nas áreas comuns do condomínio: crime ou marketing?
Segundo pesquisa da Associação Brasileira de Pets e Redes Sociais, 62% dos donos de animais urbanos já criaram perfis para seus pets
O fenômeno dos pet influencers cresceu exponencialmente nos últimos anos. Animais de estimação com perfis próprios nas redes sociais atraem milhares de seguidores e até patrocinadores.
Mas quando a gravação de conteúdo ocorre em áreas comuns de condomínios, surge um debate jurídico importante: até que ponto é permitido usar espaços coletivos para marketing digital sem infringir direitos de vizinhos e regras condominiais?
Cenário e dados atuais
Segundo pesquisa da Associação Brasileira de Pets e Redes Sociais, 62% dos donos de animais urbanos já criaram perfis para seus pets, e 21% desses utilizam áreas externas de condomínios para fotos e vídeos.
Entre os problemas relatados estão:
- Bloqueio de circulação em corredores e halls;
- Uso indevido de áreas comuns sem aviso prévio;
- Incômodos com som e movimentação;
- Captura de imagens de moradores sem consentimento, potencialmente violando a LGPD.
Aspectos legais
O Código Civil, em seus artigos 1.331 e 1.348, garante aos moradores o direito de usar e fruir suas unidades e áreas comuns, respeitando regras do condomínio. Já a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) protege a imagem e dados pessoais de terceiros, o que inclui a captura de imagens de vizinhos sem autorização.
Felipe Faustino, advogado especialista em direito condominial, explica:
“Gravar pets para redes sociais em áreas comuns não é ilegal por si só, mas o condomínio pode exigir autorização prévia e limitar horários. Se houver exposição de moradores sem consentimento, o responsável pode ser acionado judicialmente.”
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Boas práticas para uso de áreas comuns
- Solicitar autorização formal ao síndico antes de filmar ou fotografar em áreas coletivas;
- Evitar horários de pico, para não atrapalhar a circulação de moradores;
- Garantir que nenhum morador apareça nas imagens sem consentimento;
- Respeitar normas internas do condomínio, incluindo limites de som, limpeza e uso de equipamentos.
Orientações para síndicos
- Atualizar o regulamento interno para incluir diretrizes sobre filmagens e gravações;
- Criar um sistema de agendamento de uso das áreas comuns para fins de produção de conteúdo;
- Notificar formalmente moradores que desrespeitam as regras, podendo aplicar advertências ou multas;
- Mediar conflitos, buscando conciliar interesses de criadores e demais moradores.
Felipe Faustino reforça que “o condomínio deve equilibrar a inovação digital e o direito de cada morador à tranquilidade e privacidade. Regras claras previnem litígios e preservam a boa convivência.”
O fenômeno dos pet influencers é parte da cultura digital atual, mas seu uso de áreas comuns precisa respeitar limites legais, privacidade e normas condominiais. Com comunicação clara, autorização e planejamento, é possível conciliar marketing digital e boa convivência em condomínios.
“Um pet influencer pode fazer sucesso sem gerar conflitos, desde que exista respeito às regras e aos direitos de vizinhos”, conclui Felipe Faustino.
Por Rafael Bernardes, CEO do Síndicolab, e Felipe Faustino, advogado no escritório Faustino & Teles
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