Preço do condomínio disparou?
Entenda as taxas extras e o ‘teatro’ de aprovação
O aumento repentino da taxa condominial é um dos maiores motivos de insatisfação entre os moradores.
Em muitos casos, a cobrança vem acompanhada de justificativas pouco claras, como “obras emergenciais” ou “despesas imprevistas”.
O problema se agrava quando a aprovação dessas taxas extras acontece em assembleias que mais parecem um “teatro”, sem transparência e sem detalhamento adequado dos custos.
Segundo o advogado Felipe Faustino, especialista em direito condominial e sócio do escritório Faustino e Teles, o ponto central está na falta de clareza e de controle sobre as finanças. “É comum vermos condomínios que aprovam verbas adicionais sem a devida apresentação de orçamentos, notas fiscais ou comprovação real da necessidade. Esse tipo de prática pode configurar má gestão e até mesmo abrir espaço para responsabilização do síndico”, explica.
Taxas extras: quando são legais?
As taxas extraordinárias podem ser cobradas em situações específicas, como:
- Obras necessárias e urgentes (ex.: consertos estruturais, manutenção de elevadores, reparos emergenciais).
- Despesas imprevistas e indispensáveis para o funcionamento do condomínio.
- Obras de melhoria aprovadas em assembleia, desde que com o quórum correto.
Contudo, não é permitido criar taxas sem uma justificativa formal e documentada. O Código Civil determina que toda despesa deve ser comprovada e aprovada conforme previsto na convenção condominial.
O “teatro” da aprovação
O advogado alerta para assembleias em que a decisão já chega pronta, sem debate real.
“Quando a administração apresenta apenas números superficiais e pressiona os condôminos a aprovarem sob o argumento de urgência, estamos diante de um cenário de irregularidade. O condomínio precisa ser gerido com transparência e prestação de contas claras”, reforça.
Direitos do morador
O condômino tem direito de exigir:
- Prestação de contas detalhada, com apresentação de notas, contratos e orçamentos.
- Explicação clara sobre a necessidade das obras e sobre o valor da taxa extra.
- Convocação regular da assembleia, com tempo hábil para análise.
- Voto consciente, sem ser coagido a aprovar medidas sem informações completas.
Transparência como solução
Para evitar abusos, Felipe Faustino recomenda práticas simples, como auditorias periódicas, uso de sistemas digitais de prestação de contas e assembleias híbridas ou gravadas, permitindo maior participação e registro das discussões.
“Quando há transparência, os moradores passam a confiar mais na gestão. O aumento da taxa pode até ser inevitável em alguns casos, mas a diferença está em como isso é conduzido: com verdade, documentos e clareza”, conclui o advogado.
Por Rafael Bernardes, CEO do Síndicolab, e Felipe Faustino, advogado no escritório Faustino & Teles
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