Sindicato acusa Itaú de demitir cerca de mil funcionários
Cortes no Itaú afetam áreas de atendimento e suporte, em decisão baseada em métricas de engajamento e produtividade
Na segunda-feira, 8 de setembro de 2025, o Itaú Unibanco desligou aproximadamente mil funcionários que atuavam em regime remoto ou híbrido.
Os números foram divulgados pelo Sindicato dos Bancários, que alega que a medida se deu sem aviso, advertência ou diálogo com a entidade. O banco não detalhou ou informou quantos funcionários demitiu.
Ainda segundo o Itaú, a medida decorre de um monitoramento interno que apontou baixa produtividade, falhas de registro de jornada e períodos de inatividade nos equipamentos corporativos.
A instituição afirma que o processo foi resultado de uma análise criteriosa e que “princípios de confiança” norteiam a política de trabalho remoto.
Por sua vez, o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região qualificou as demissões como arbitrárias, desumanas e desrespeitosas.
O critério adotado “não leva em conta a complexidade do trabalho bancário remoto, possíveis falhas técnicas, contextos de saúde, sobrecarga ou mesmo a própria organização do trabalho pelas equipes”, disse Maikon Azzi, diretor do sindicato.
A decisão foi comunicada individualmente aos empregados e envolveu áreas de atendimento e suporte, com foco em funções que permitem aferição digital de desempenho.
O banco não detalhou quais indicadores foram usados, mas mencionou padrões de engajamento abaixo das metas estabelecidas para o formato remoto.
A decisão ocorre em um momento de resultados muito positivos para o Itaú. No segundo trimestre de 2025, o banco registrou lucro gerencial de 11,5 bilhões de reais, alta de 14,3% em relação ao mesmo período de 2024.
No semestre, o lucro somou 22,6 bilhões, mantendo a liderança entre as instituições financeiras do país.
Parte do mercado interpreta os cortes como alinhamento a uma estratégia de otimização operacional, prática comum em empresas de grande porte, independentemente do desempenho financeiro.
O caso se soma a um movimento mais amplo de ajustes e restrições no modelo de trabalho remoto em grandes corporações, que têm revisto políticas e estabelecido limites mais rígidos para a modalidade, isso quando não a extinguem de vez.
No setor bancário, onde a regulação e a segurança da informação impõem requisitos específicos, decisões desse tipo refletem não apenas questões de produtividade, mas também de padronização de processos e controle operacional.
Em nota, o Itaú Unibanco confirmou os cortes de pessoal:
“O Itaú Unibanco realizou hoje desligamentos decorrentes de uma revisão criteriosa de condutas relacionadas ao trabalho remoto e registro de jornada. Em alguns casos, foram identificados padrões incompatíveis com nossos princípios de confiança, que são inegociáveis para o banco. Essas decisões fazem parte de um processo de gestão responsável e têm como objetivo preservar nossa cultura e a relação de confiança que construímos com clientes, colaboradores e a sociedade.”
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