A fixação do brasileiro por fé e autoridade explica boa parte do bolsonarismo
Não é à toa, portanto, o tamanho e o poder das bancadas “da fé” e “da bala” nos parlamentos
A mais nova pesquisa Genial-Quaest publicada nesta segunda-feira, 8, explica boa parte da solidez do bolsonarismo, a despeito da impossibilidade de o ex-presidente da República, Jair Bolsonaro, disputar as próximas eleições em 2026, bem como estar à beira de uma dura condenação penal pela chamada “trama golpista”, cujo processo encontra-se em curso no Supremo Tribunal Federal (STF).
Os brasileiros, segundo o levantamento, confiam plenamente nas Igrejas, seja a católica ou a evangélica, e nas forças de segurança pública, sejam as polícias militares estaduais ou as Forças Armadas. Vejam: Igreja católica (73% confiam e 25% não confiam); Polícia Militar (71% confiam e 28% não confiam); Militares (70% confiam e 28% não confiam); Igrejas evangélicas (65% confiam e 32% não confiam).
Na sequência, vêm: Prefeito (63% confiam e 35% não confiam); Bancos (63% confiam e 26% não confiam); Presidente (54% confiam e 44% não confiam); Imprensa (50% confiam e 47% não confiam); STF (50% confiam e 47% não confiam); Congresso (45% confiam e 52% não confiam); Juiz de futebol (43% confiam e 52% não confiam); Redes sociais (41% confiam e 57% não confiam); Partidos (36% confiam e 63 nãos confiam).
Terra Prometida
Não é à toa, portanto, o tamanho e o poder das bancadas “da fé” e “da bala” nos parlamentos. Líderes políticos de expressão são pastores e “bispos”. Ministros do Supremo são “terrivelmente evangélicos”. Até o PT e o próprio presidente Lula resolveram caminhar em direção à diversidade religiosa e “abraçar a fé”… com fé! Lembrando que o lulopetismo, historicamente, é ligado à Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Nos palanques bolsonaristas de 7 de setembro Brasil afora, Deus foi presença obrigatória. Em São Paulo, com Tarcísio de Freitas e Silas Malafaia, além da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, bem como em Belo Horizonte, com Nikolas Ferreira e outros “religiosos” do PL, a fé foi tema obrigatório. Impossível dissociar tal realidade, portanto, aliada à força (essa turma tem a Polícia e o Exército como referências – e reverência) da pesquisa.
Na falta de projetos de governo e políticas de Estado, que deveriam nortear a escolha dos eleitores com vias ao desenvolvimento do país, políticos e partidos adotam estratégias de ordem ideológica e religiosa, portanto, emocionais, a fim de capturar a atenção e o voto dos “fiéis”. Como as demais instituições estão em frangalhos perante a opinião pública, a tarefa se torna cada vez mais fácil e os resultados, cada vez mais catastróficos.
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