Crusoé: A muleta do imposto de renda
Propostas para acabar com tributos fazem barulho, mas podem ser inviáveis
A deputada federal Julia Zanatta, do PL, apresentou na sexta, 29 de agosto, um projeto de lei para extinguir a tributação sobre a renda no país.
Segundo ela, o imposto de renda representa uma“restrição ao direito do indivíduo de usufruir plenamente do fruto do seu trabalho”.
A proposta não é nova, e costuma aparecer de tempos em tempos no Brasil.
Mas, ainda que a ideia seja sedutora, ela é inviável em um país com dimensões e gastos continentais como o Brasil.
Propostas como a de Julia, ao final, servem apenas para fazer barulho, atrair os holofontes e ganhar votos em futuras eleições.
Insegurança
Não é por outro motivo que a ideia, via de regra, vem de quem está na oposição, de olho em popularidade, e não de quem está no governo, que depende desse dinheiro para fechar as contas.
Ou diminuir o rombo, como tem sido o caso do governo Lula.
A proposta também enfrenta resistência de setores empresariais, que se beneficiam de um sistema tributário previsível e preferem evitar mudanças bruscas.
A redução abrupta da carga, sem mecanismo alternativo de arrecadação, criaria incerteza econômica e ameaça à prestação de serviços públicos.
Só em 2024, somando as diferentes arrecadações do Imposto de Renda de pessoa física e jurídica, chega-se a 1 trilhão de reais.
Abrir mão disso, seja para o governo que for, seria algo colossal
Arthur Lira
Enquanto o projeto de Zanatta mira a eliminação total, o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), articula uma mudança mais moderada.
O PL 1087/2025 prevê a isenção total para quem ganha até 5 mil reais mensais.
Lira também incluiu um desconto parcial para rendas entre 5 mil e 7,3 mil reais.
A proposta canaliza uma antiga…
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