Investidor estrangeiro retirou quase R$ 1 bi da Bolsa em agosto
B3 registra saída de 948 milhões de reais em agosto, com estrangeiros optando pelos altos juros de 15% da renda fixa
Os investidores estrangeiros retiraram 948,3 milhões de reais da Bolsa de Valores brasileira (B3) até a quinta-feira (21) da semana passada, consolidando um mês de saída líquida de capital.
Apesar disso, o saldo acumulado do ano segue positivo, com cerca de 19,65 bilhões de reais em entradas líquidas, segundo dados da B3. O movimento reflete cautela global e a atratividade dos juros brasileiros em um cenário de risco fiscal elevado.
O diferencial de juros, que mede a diferença entre as taxas de juros do Brasil e de outros mercados, é um fator-chave. Com a Selic a 15% ao ano, o Brasil oferece rendimentos mais altos que países desenvolvidos, como os EUA, onde as taxas estão próximas de 4,5%.
Isso torna a renda fixa brasileira, especialmente títulos públicos, mais atraente que a bolsa, cujo risco é maior devido à volatilidade do Ibovespa.
“Essa retirada [de agosto] reflete a preferência de investidores estrangeiros por títulos públicos atrelados à Selic de 15%, que oferecem bons retornos e mais seguros comparados à volatilidade do Ibovespa, impactada por incertezas internacionais e o crescente risco fiscal doméstico, diz Jason Vieira, economista-chefe da Lev Asset.
O risco fiscal se refere à incerteza sobre a capacidade do governo de controlar o déficit público e a dívida.
No Brasil, preocupações com a sustentabilidade fiscal, agravadas por possíveis altas nos gastos (estamos nos aproximando das eleições) e incertezas políticas, deixam os investidores mais cautelosos em relação à bolsa, onde o desempenho das empresas está mais exposto a esses fatores.
Já os títulos públicos, indexados à Selic, oferecem retornos previsíveis, atraindo capital estrangeiro em momentos de instabilidade.
A saída de agosto segue a tendência de julho, quando 5,9 bilhões de reais deixaram a B3, influenciados por tarifas americanas de até 50% sobre importações, que abalaram mercados emergentes.
Apesar de entradas pontuais entre 11 e 14 de agosto, totalizando 2,5 bilhões, a aversão ao risco global e temores de recessão nos EUA parecem manter a pressão.
Analistas apontam que um corte de juros nos EUA, previsto para setembro, pode reverter o fluxo, mas o cenário fiscal doméstico segue como possível obstáculo.
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