O temor de Eduardo Bolsonaro revelado pelo relatório da PF
Documento que embasa indiciamento por coação revela deputado dividido entre prisão no Brasil e isolamento nos EUA
Eduardo Bolsonaro (PL-SP) teme que um eventual retorno ao Brasil resulte em prisão ou perda do passaporte e que, por isso, seja obrigado a permanecer nos Estados Unidos por tempo indeterminado.
Em mensagem registrada no relatório final da Polícia Federal, ele afirmou que uma declaração pública de Jair Bolsonaro poderia “decretar o resto da minha vida nesta porra aqui”, evidenciando o receio de transformar sua permanência no exterior em exílio forçado.
Segundo o documento, o deputado avaliou que seu mandato poderia ser usado “como cabresto, como ferramenta de chantagem e coação do regime de exceção” para impedir sua atuação política.
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Preocupação
Essa percepção levou o filho do ex-presidente a sustentar que somente fora do país teria condições de continuar denunciando o que chama de “crimes” do ministro Alexandre de Moraes, embora reconhecesse que isso o deixaria isolado e enfraquecido no cenário nacional.
As mensagens analisadas pela PF também mostram preocupação com o destino de Jair Bolsonaro.
Eduardo advertiu que uma “anistia light” não salvaria o pai de condenações na ação penal por tentativa de golpe de Estado e poderia levar à “perda de apoio americano caso fosse aprovada”.
Ele chegou a escrever que o ex-presidente estaria “igualmente condenado final de agosto”, reforçando o temor de isolamento político da família.
Tarcísio
A inquietação se estendeu à disputa interna pela liderança da direita no país.
Eduardo demonstrou incômodo com a ascensão de Tarcísio de Freitas, avaliando que a “narrativa de Tarcísio te sucedendo… está muito forte” e afirmando: “Precisamos segurar isso para nos mantermos vivos aqui”. Ele tentou minar negociações do governador em Washington, dizendo que “só eu e Paulo Figueiredo temos acesso” à Casa Branca.
O relatório também revela atritos familiares.
Ao ser chamado de “imaturo” por Jair Bolsonaro, Eduardo reagiu com insultos e advertiu que a fala do pai poderia comprometer sua vida política. A intervenção do pastor Silas Malafaia buscou conter os danos, mas incluiu críticas duras ao deputado, a quem chamou de “babaca”, “inexperiente” e “idiota”.
Os registros da Polícia Federal mostram Eduardo Bolsonaro em um dilema: teme ser preso se voltar ao Brasil, mas também reconhece que permanecer nos Estados Unidos pode condená-lo ao isolamento. Sua própria frase sobre “decretar o resto da minha vida nesta porra aqui” resume a encruzilhada em que se encontra.
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Comentários (1)
ALDO FERREIRA DE MORAES ARAUJO
22.08.2025 06:05O que causa estranheza é ver como o STF, de repente, tornou-se tão rigoroso a ponto de abrir inquéritos e investigações "cala a boca" contra parlamentares que fazem discurso durante seções no Congresso, intrometer-se e divulgar conversas particulares quando são pessoas identificadas como de direita, e ao mesmo tempo anula provas e julgamentos e descondena corruptos "pegos com a mão na botija", mesmo que ao arrepio da lei, como fez Toffoli com provas regularmente solicitadas e encaminhadas pelo governo da Suíça. É estranho.