Congresso instala CPMI do INSS com disputa pela presidência
Os senadores Carlos Viana (Podemos-MG) e Omar Aziz (PSD-AM) colocaram suas candidaturas para presidente da comissão
O Congresso Nacional instalou nesta quarta-feira, 20, a CPMI do INSS. A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito vai apurar o esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões.
Na reunião desta quarta, ainda serão eleitos o presidente e vice do colegiado, e designado o relator. Para a presidência, o senador Carlos Viana (Podemos-MG) apresentou sua candidatura nesta quarta-feira, para disputar o posto com Omar Aziz (PSD-AM).
“Eu coloco a minha candidatura por uma questão de equilíbrio e principalmente de responsabilidade com a população brasileira e com o contribuinte deste país. Aqui não há da minha parte governo atual, governo anterior, há da minha parte o compromisso com todos os aposentados brasileiros em dar uma explicação sobre esse escândalo, essa roubalheira que foi o INSS e agora todo esse rombo sendo coberto com dinheiro do contribuinte, com dinheiro do Tesouro”, afirmou Viana.
“Por obrigação, esta Casa tem a responsabilidade de fazer uma investigação profunda, sem partidos, apartidária, mas principalmente uma investigação responsável para que a população brasileira volte a confiar em cada um de nós que recebemos o voto para representar a todos os brasileiros”.
Ele prosseguiu: “Hoje o país se pergunta como foi possível que acontecesse um escândalo desse tantos anos, tantos bilhões desviados de pessoas que contribuíram a vida inteira para a previdência social e agora exigem da nossa parte essa investigação e principalmente o esclarecimento de quem foi beneficiado, se foi, de que maneira foi, e como esse dinheiro pode ser trazido de volta aos cofres do nosso país”.
O senador Eduardo Girão (Novo-CE) também iria disputar a presidência com Aziz, mas renunciou à sua candidatura em nome de Viana. Ele ressaltou que o senador do Podemos assinou o requerimento de criação do colegiado e disse que, com Viana na presidência, haveria o mínimo de imparcialidade na condução dos trabalhos.
Omar Aziz também discursou antes de ser iniciada a eleição para presidente. Ele alfinetou Girão.
“É normal o embate democrático, político, sem ser ofensivo e faltar com a verdade, como é de costume do senador do Ceará, Girão. Narrativas e narrativas, e porque viu não sei aonde e tal. Eu sempre respeitei e respeito todos os meus colegas. Ser presidente de uma CPMI, para mim não é o fim do mundo ser ou não ser. Investigar e aprofundar as investigações eu acho que é o mais importante“, disse Omar.
“E aqui não deve ser uma guerra de narrativas, quem é culpado ou quem é inocente. Não dá pra pré-julgar nem quem é culpado nem para você inocentar sem antes de investigar. E o papel nosso seria esse aqui nessa CPMI, do que eu estou entendendo. E não narrativas. Não forma de depreciar o trabalho das pessoas, que todos nós nos envolvemos no trabalho e nos aprofundamos”.
O senador prosseguiu: “Temos pensamentos diferentes, mas convergimos em algumas coisas. Todos nós convergimos em relação a procurar não só punir as responsabilidades, mas também evitar futuramente que isso aconteça”.
Ele ressaltou ainda que o trabalho da CPMI não é favor, mas obrigação dos parlamentares. Além disso, afirmou que, no relatório final, precisam trazer propostas para o Congresso aprovar leis que previnam esse tipo de fraude que ocorreu com aposentados e pensionistas.
“O trabalho que temos que fazer não é um trabalho ideológico, independentemente de quem esteja na presidência. Seja de centro, de direita, progressista ou de esquerda. As pessoas que foram prejudicadas não está escrito na testa delas qual é a tendência política dela. Nós temos que trabalhar é por essas pessoas”, pontuou Omar.
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