“Mais latido que mordida”, diz Economist sobre tarifaço de Trump
A tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, uma das mais altas do mundo, foi motivada por razões políticas, afirma a revista
A revista britânica The Economist classificou a nova rodada de tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros como “mais um latido do que uma mordida” — ou seja, um gesto simbólico com pouco impacto econômico real. A tarifa de 50%, uma das mais altas do mundo, foi motivada por razões políticas, em reação, dentre outras coisas, à situação do ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar.
“O Brasil não foi o único país visado por razões políticas. A Índia enfrenta uma taxa comparável por comprar petróleo russo. Trump alertou Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá, que reconhecer um Estado palestino tornaria as negociações comerciais ‘muito difíceis’. O caso do Brasil, no entanto, é o mais claro até o momento de Trump usando o comércio como instrumento para interferir nos assuntos de outro país”, diz a revista.
Apesar do anúncio, quase 700 produtos foram isentados da sobretaxa, incluindo aviões, petróleo, celulose e suco de laranja. Setores como café, carne e frutas, no entanto, ficaram de fora dessas exceções e seguem sujeitos à alíquota completa.
Segundo a reportagem, o impacto econômico será moderado, já que o Brasil exporta relativamente pouco em relação ao seu PIB e sua dependência do mercado americano caiu para 13% das exportações — uma queda significativa em comparação com um quarto há duas décadas. Por outro lado, a participação da China nas exportações brasileiras subiu para 28%.
O maior desafio agora, ainda de acordo com a Economist, está no posicionamento do Brasil frente ao BRICS. Lula afirmou, em 6 de agosto, que consultaria outros membros do bloco sobre maneiras de combater as tarifas impostas por Trump, o que pode desencadear uma escalada da guerra comercial.
“Trump já rotulou o grupo de ‘antiamericano’. Ele ameaçou uma tarifa adicional de 10% sobre os produtos de seus membros durante a cúpula do BRICS no Rio no mês passado. Como presidente eleito, ele propôs uma tarifa de 100% caso eles tentassem abandonar o dólar para acordos comerciais”, diz a reportagem.
Brasil recorre à OMC
Na última quarta-feira, 6, o Itamaraty divulgou uma nota oficial informando que o país apresentou um pedido de consultas do Brasil ao Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre o tarifaço de 50% estabelecido pelo governo Trump aos produtos brasileiros.
No documento, o governo Lula questiona as medidas tarifárias aplicadas pelos EUA com base na “Lei dos Poderes Econômicos de Emergência Internacional (“International Emergency Economic Powers Act” – IEEPA)” e na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana de 1974.
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, a política adotada pelo governo Trump viola “flagrantemente” os compromissos assumidos pelos EUA na OMC .
A OMC é uma organização internacional que tem como objetivo principal regular o comércio entre países para garantir que ele seja justo e previsível.
A entidade estabelece regras para o comércio internacional, promove a liberação do comércio e auxilia em novos acordos.
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Comentários (2)
Otreblig50
10.08.2025 10:20Toda a pessoa que conhece o termo ESTELIONATÁRIO, ou já conheceu algum pessoalmente, sabe que a definição cabe perfeitamente nas legendas das fotos/filmes do trump e a_sse_clas !!
Marian
09.08.2025 12:20O artigo do The Economist é bom, e a manchete retrata a realidade em poucas palavras.