“País não pode ficar refém de Bolsonaro”, diz Gleisi sobre obstrução
Oposição está em obstrução no Congresso e vem ocupando as Mesas Diretoras em protesto contra prisão domiciliar do ex-presidente
A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, criticou nesta quarta-feira, 6, a obstrução que a oposição vem fazendo no Congresso desde terça, 5, em protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e para pressionar as Casas a avançarem com o projeto de lei da anistia e outras medidas. Gleisi ressaltou que o movimento impede votações importantes para os brasileiros.
“O povo brasileiro não pode carregar nas costas o peso de Jair Bolsonaro. Primeiro, conspirou com um governo estrangeiro, fazendo o presidente dos EUA impor pesadas taxas às exportações brasileiras, comprometendo nossos empregos, empresas e a economia do Brasil em troca de pressão para sua anistia”, iniciou a ministra, em publicação no X.
“Agora, seus apoiadores no Congresso Nacional, com o mesmo objetivo, impedem votações importantes para os trabalhadores e as famílias do Brasil: isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil, PEC da Segurança, isenção da conta de luz pra quem consome até 80 kW, só para ficar em alguns exemplos. Este país tem Constituição, leis, poderes independentes e um povo altivo. Não pode ficar refém de Bolsonaro“.
A obstrução inclui a ocupação das Mesas Diretoras da Câmara e do Senado, o que vem impedindo a realização de sessões no plenário. O senador Magno Malta (PL-ES) chegou a se acorrentar no plenário da Casa Alta.
Ainda nesta quarta, o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), afirmou que é “dever constitucional” dos presidentes Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP) ocuparem suas cadeiras nas Mesas, retomarem os trabalhos e garantirem “o funcionamento regular do Poder Legislativo”.
“Há pautas urgentes a votar, como a isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil reais, e o país não pode ser refém de traidores da Pátria”, pontuou.
Motta e Alcolumbre se manifestaram
Na terça-feira, 5, o presidente da Câmara, Hugo Motta, disse que estava acompanhando a ocupação da Mesa Diretora. Além disso, afirmou que diante do movimento, determinou o encerramento da sessão deliberativa do período da tarde do plenário e que fará uma reunião com líderes para discutir a pauta da Câmara.
A reunião foi convocada para as 16h nesta quarta, na residência oficial do presidente. Ao se manifestar sobre as ocupações, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, também disse que terá um encontro com líderes “para que o bom senso prevaleça” e o Senado retome “a atividade legislativa regular, inclusive para que todas as correntes políticas possam se expressar legitimamente em sessões da Casa”.
Porém, segundo o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), a oposição não participará de nenhuma reunião que tenha apenas um dos presidentes. Ela quer uma reunião com a presença dos dois.
“Vimos as notas que os presidentes emitiram de reunião de líderes no dia de amanhã. Só sentaremos para negociar e resolver esse impasse com os dois presidentes das Casas juntos. Por quê? Lamentavelmente passamos cinco meses do primeiro semestre falando de anistia, conversas foram feitas, diálogos, e toda hora parece que um colocava a culpa no outro, e não vimos a votação via plenário”, falou Sóstenes, em entrevista a jornalistas, na terça-feira.
“Então, agora, só vamos resolver esse impasse com uma reunião com os dois juntos, os líderes do Senado e da Câmara, e os dois presidentes juntos. Não vamos conversar individualmente. Inclusive, para essa reunião convocada de líderes de amanhã, nós da oposição não participaremos de forma isolada”.
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