EUA terão lei para punir países que negociam com a Rússia, alertam senadores
Grupo de senadores que foi aos EUA para discutir o "tarifaço" ouviu que uma norma que pode atingir o Brasil será aprovada
Os senadores que viajaram aos Estados Unidos para discutir a decisão do governo americano de aplicar tarifas extras de 50% sobre os produtos brasileiros alertaram, nesta quarta-feira, 30, que o Brasil poderá sofrer sanções do país norte-americano por importar produtos da Rússia. De acordo com o grupo, parlamentares com quem conversaram disseram que o Congresso dos EUA aprovará uma lei que prevê sanções a nações que negociam com os russos.
“O grande mérito que temos a oferecer desse trabalho [da viagem aos EUA], além da reabertura de diálogo de Parlamento para Parlamento, é que também estamos aqui levando ao Brasil antecipadamente um recado: há outra crise pior que pode nos atingir nos próximos 90 dias. Tanto republicanos quanto democratas foram firmes em dizer que eles irão aprovar uma lei que vai criar sanções automáticas para todos os países que negociam com a Rússia“, disse o senador Carlos Viana (Podemos-MG), em coletiva de imprensa.
“E não será um decreto do presidente da República, como estamos falando do ‘tarifaço‘, uma decisão pessoal da Presidência da República, será uma lei americana que vai impor. Os dois partidos já são claros de que aprovarão essa lei, e não será, portanto, uma decisão do presidente dos EUA. Será uma decisão do Congresso americano“.
Segundo Viana, o Brasil “tem tempo para se preparar, para buscar consciência, buscar diálogo” sobre essa lei, diferentemente do que ocorreu a decisão de impor tarifas extras de 50%. “Temos que trabalhar com antecedência. Então a política externa brasileira está sendo avisada de que há algo que poderá nos atingir com muito mais força nos próximos 90 dias. Estamos fazendo esse alerta pelo que ouvimos ontem dos parlamentes dos dois lados e que se tornará uma realidade muito breve”.
De acordo com a senadora Tereza Cristina (PP-MS), os senadores democratas e republicanos americanos com quem a comitiva brasileira conversou manifestaram preocupação em acabar com a guerra na Ucrânia e avaliam que comprar produtos da Rússia ajuda o país a continuar tendo recursos para manter a guerra. O Brasil importa combustível e fertilizante da Rússia.
“Nós temos um agronegócio potentíssimo e temos dependência praticamente de 100% de fertilizante. Não tem fertilizante no anúncio classificado de nenhum jornal. O fertilizando falta no mundo inteiro e 30% vem… isso foi dito para eles [senadores americanos]”, afirmou o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
“Ninguém faz o que quer, faz o que precisa. Não está sobrando por aí. Então não tem como deixar de comprar, só se for para parar o agronegócio. Também o negócio do combustível, quem compra não é o governo brasileiro, quem compra são empresas que importam, para revender no mercado interno”, acrescentou.
Viana ressaltou que um dos senadores americanos com quem a comitiva conversou citou a possibilidade de o Brasil apresentar razões para importar fertilizante da Rússia e a nova lei americana ter pontos que permitam esse tipo de comércio sem interferência.
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Comentários (4)
Marian
30.07.2025 18:04A OTAN também está tratando disso. Excelente
Ita
30.07.2025 16:40Acho que demorou essa iniciativa do Congresso Americano, estava desenhado há muito, porque talvez seja a melhor forma de parar a máquina de guerra do Putin.
Um_velho_na_janela
30.07.2025 14:37Será que o congresso americano é tão obtuso como o nosso e deixou-se enfeitiçar ou comprar pelo psicopata que mora na Casa Branca para apoiá-lo no seu projeto de provocar, provocar até que surja o estopim que justifique a 3ª Guerra Mundial? Espero que não, felizmente o mundo não é povoado por brasileiros traidores.
Alexandre Ataliba Do Couto Resende
30.07.2025 14:21Governo Lula buscar "consciência e diálogo"? Está querendo muito né... estamos ferrados...