San Francisco renasce para o mercado de alto luxo
Propriedades valorizadas viraram alvo dos famosos, das grifes e dos investidores em inteligência artificial
O que têm em comum a viúva de Steve Jobs, Laurene Powell Jobs, o jogador de basquete Stephen Curry, dos Golden State Warriors, e um dos bilionários sócios-fundadores do Google, Sergey Brin? Os três fazem parte de uma tendência que cresce desde o ano passado, a das aquisições milionárias de propriedades em San Francisco.
A gigante do mercado de luxo Sotheby’s, que administra casas de leilões, imobiliárias e revendas de bens como carros clássicos e obras de arte, acaba de publicar um relatório – o Sotheby’s lnternational Realty 2025 Mid-Year Luxury Outlook – que levanta tendências do mundo dos imóveis de luxo em todo o mundo.
Um dos capítulos que chamam a atenção é o que diz respeito ao renascimento de alguns mercados que há tempos estavam fora de moda. Entre eles, estão as casas de veraneio em Porto Rico, onde no ano passado uma mansão à beira-mar foi vendida pela bagatela de 30 milhões de dólares e uma cobertura triplex atingiu 15 milhões de dólares.
Propriedades na montanha em Utah, onde uma mansão bateu os 32 milhões de dólares ano passado. E, mais surpreendente para muitos, a onda de San Francisco.
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A crise passou?
A cidade da California, que durante décadas foi uma das mais badaladas dos Estados Unidos, vinha vivendo uma crise de imobiliária, causada por uma crise urbana – a decadência do centro da cidade, com prédios vazios e cada vez mais mendigos circulando, em um cenário que em alguns lugares lembrava a Cracolândia.
Mesmo ocupantes tradicionais, como a rede GAP, que foi sido fundada na cidade, havia fechado suas lojas na região. Agora, num dos movimentos de onda típicos do mercado, lojas premium estão comprando com enorme desconto os espaços abandonados pelas redes de magazines como H&M e Forever 21.
Num movimento emblemático, a Chanel adquiriu por 63 milhões de dólares um edifício na região da Union Square, próximo a lojas como a Brunello Cucinelli, favorita dos milionários do Vale do Silício, que vende camisetas sem estampa com preços na casa dos 600 dólares.
Ironicamente, por questão de segurança, muitas dessas lojas atendem apenas com hora marcada.
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O relatório
No mercado residencial, o movimento é exatamente o mesmo.
“Principalmente no alto da pirâmide do mercado”, explica Neill Bassi, da Sotheby’s, no relatório. “Se você pergunta a qualquer um que está comprando hoje, a confiança é super alta”, complementa.
Na cidade, as propriedades de luxo começam na faixa dos 7 milhões de dólares e entram no chamado “ultra-high-end market” a partir dos 20 milhões de dólares. Bassi explica que em 2024 houve mais vendas nesse nicho do que em qualquer outro ano anterior.
Parte dos compradores são ex-moradores, que estão retornando após um período de cinco anos de vacas magras no mercado imobiliário. Outros são novos moradores ou investidores, principalmente ligados às empresas de Inteligência Artificial.
Segundo um analista ouvido pela Bloomberg, “se alguém quer apostar em IA, precisa ir para San Francisco e pescar colaboradores na piscina de talentos de tecnologia que vive na região”. Aparentemente é o que estão fazendo.
O efeito dessa onda é a quebra de recordes. No ano passado Laurene Powell Jobs, mais conhecida como a viúva de Steve Jobs e uma das mulheres mais ricas do mundo, comprou uma mansão em Pacific Heights pelo valor de 70 milhões de dólares, batendo a marca de residência mais cara da cidade – que antes era ocupada por outra mansão a um quarteirão de distância, adquirida por 43,5 milhões de dólares.
Já o jogador de basquete Stephen Curry, que já havia comprado um apartamento de 8 milhões de dólares no Four Seasons Residences Downtown, comprou um prédio comercial também no centro, para reformar e instalar suas empresas – o valor não foi revelado.
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