Comissão da Câmara aprova ampliação da faixa de isenção do IR para R$ 5 mil
Projeto prevê também desconto parcial do imposto para quem ganha entre 5 mil reais e 7.350 reais; texto seguirá ao plenário
A comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira, 16, o projeto de lei que amplia a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até 5 mil reais mensais. A votação foi simbólica, quando não há registro individual de votos. O texto foi aprovado na forma como sugeriu o relator, Arthur Lira (PP-AL), e seguirá para análise do plenário da Casa após os deputados analisarem destaques.
Entre as mudanças que Lira fez na versão original, enviada pelo governo ao Congresso em 18 de março, está a ampliação da faixa de redução parcial do IR. O projeto original trazia um desconto parcial do imposto para quem ganha entre 5 mil reais e 7 mil reais mensais. Lira ampliou o teto para 7.350 reais, o que, de acordo com ele, beneficiará cerca de 500 mil brasileiros.
Além disso, ele incluiu uma previsão de que arrecadação adicional da União decorrente da aprovação da lei será utilizada como fonte de compensação das perdas de estados e municípios com a isenção e redução do IR.
Para compensar as perdas arrecadatórias do governo federal, o projeto de lei, tanto na versão original como na de Lira, estabelece que indivíduos que ganham mais de 50 mil reais por mês e que atualmente não contribuem com uma alíquota efetiva de até 10% para o IR passem a contribuir.
O substitutivo, porém, determina que uma tributação mínima do IR não se aplica às hipóteses de pagamento, crédito, emprego, entrega ou remessa de lucros ou dividendos a governos estrangeiros, fundos soberanos e entidades no exterior que tenham como principal atividade a administração de benefícios previdenciários.
“Suprimimos, por decorrência lógica e ouvido o Ministério da Fazenda, a designação da Secretaria de Política Econômica como órgão gestor responsável pelo acompanhamento e pela avaliação do benefício tributário do crédito do não-residente no Brasil e do redutor do residente no Brasil, quanto à consecução das metas e dos objetivos estabelecidos, visto que esses mecanismos não correspondem a benefícios fiscais, mas regras de conformação da nova tributação proposta”, pontua o parecer de Lira também.
Impactos na arrecadação
De acordo com o relator, com a desoneração de rendimentos até 5 mil reais e a redução decrescente do imposto entre 5 mil reais e 7.350 reais, o governo federal deixa de arrecadar os seguintes montantes: 31,25 bilhões de reais em 2026, 33,53 bilhões de reais em 2027 e 35,90 bilhões de reais em 2028.
Porém, com as medidas compensatórias previstas, o governo terá superávit de 2,87 bilhões em 2026, 5,65 bilhões em 2027 e 3,74 bilhões em 2028. “Há um superávit [total] de 12,27 bilhões de reais, o qual, consideramos, é necessário para compensar a perda de estados e municípios relativamente à redução da arrecadação do Imposto sobre a Renda incidente sobre os rendimentos de seus próprios servidores”, diz o parecer.
Crítica
O deputado Gilson Marques (Novo-SC), vice-líder da minoria na Câmara, criticou o estabelecimento da alíquota de 10% para o IR a indivíduos que ganham mais de 50 mil reais por mês.
“Sou absolutamente a favor da isenção dos 5 mil, espero que seja 7.500 reais, espero que seja 10 mil reais, mas eu gostaria realmente, isso é necessário para o Brasil e a para a sociedade, que seja como solução o corte de gastos, a economia, e não mais tributo, porque é um círculo vicioso que não tem fim”, pontuou.
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