Motta deve discutir tarifaço de Trump com Alcolumbre
Presidente da Câmara foi pressionado por líderes governistas a se posicionar sobre a decisão dos EUA de taxar produtos brasileiros
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), deve discutir com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a decisão do governo americano de implementar tarifas extras de 50% sobre os produtos brasileiros.
Na reunião de líderes da Câmara com Motta nesta quinta-feira, 10, segundo relatos de participantes, o presidente foi pressionado por lideranças governistas a se posicionar sobre a decisão e disse que construirá uma nota com Alcolumbre. Disse ainda que tentaria conversar com o senador sobre o tema ainda hoje.
O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), falou nesta quinta que entregou a Motta um requerimento para que seja realizada uma comissão geral para discutir a decisão do governo americano de implementar tarifas extras.
De acordo com Lindbergh, o pedido tem as assinaturas também das lideranças do MDB, Solidariedade, Podemos, PSB, PDT e PCdoB. A ideia é que o Itamaraty e setores empresariais sejam convidados para participar do evento.
Comissões gerais são sessões do plenário da Câmara específicas para debater um assunto importante, um projeto de lei de iniciativa popular ou para ouvir um ministro.
“Estamos querendo e vendo com o presidente Hugo, com as assinaturas todas, para realizar o mais rápido possível”, pontuou Lindbergh. Ainda segundo o petista, cabe a Motta agora convocar e definir o formato da comissão geral.
O líder do Partido Liberal (PL), Sóstenes Cavalcante (RJ), por sua vez, afirmou que a sigla é contra taxações e culpou o governo Lula (PT) pela decisão dos Estados Unidos.
“O PL tem como princípio o liberalismo econômico. Somos contra taxações. Não queira colocar na conta de um partido que na sua essência tem o liberalismo econômico como base fundamental o que é culpa do atual governo”, declarou.
Sóstenes ainda ressaltou que a moção de louvor ao presidente americano, Donald Trump, não foi aprovada pela Comissão de Relações Exteriores da Câmara por causa das tarifas.
“O voto de louvor foi pela primeira manifestação do presidente Donald Trump de solidariedade a Bolsonaro. É só ver o voto de louvor. Nós não louvamos por taxações. Agora, vamos ao fato? Quem é o responsável pela taxação americana ao Brasil? É o governo. O governo que só se solidariza e anda de mãos dadas com países de ditaduras”, falou o deputado.
Ele ainda cobrou que o governo resolva o problema do tarifaço: “Agora o governo tem 21 dias, e já que dizem que o governo é tão democrático, tão habilidoso, sabe usar a diplomacia, que resolva o problema. Nós brasileiros não queremos ser taxados”.
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