Comparativo inédito: qual remédio emagrece mais?
Comparativo do The New England Journal of Medicine revela o novo padrão ouro no tratamento da obesidade. Veja qual emagrece mais e por quê
Em 11 de maio de 2025, o The New England Journal of Medicine publicou o primeiro teste direto entre dois medicamentos de última geração no combate à obesidade: tirzepatide, componente do Zepbound e Mounjaro e a semaglutida, do Wegovy e Ozempic.
Por 72 semanas, 751 adultos com obesidade e sem diabetes, estratificados por sexo, índice de massa corporal (IMC) e pré-diabetes, receberam injeções semanais dos medicamentos na dose máxima tolerada. O estudo foi bancado pelo laboratório Eli Lilly, que produz tirzepatide.
Resultados impressionantes e transformadores
Os resultados do estudo mostraram uma diferença clara entre os dois medicamentos. Pacientes que utilizaram tirzepatide perderam, em média, 20,2% do peso corporal — cerca de 22,8 kg —, enquanto aqueles que tomaram semaglutida perderam 13,7%, ou aproximadamente 15 kg.
Essa vantagem se estendeu também à redução da circunferência abdominal, com média de 18,4 cm no grupo da tirzepatide contra 13 cm no grupo da semaglutida.
Além disso, uma parcela significativamente maior de pessoas atingiu metas clínicas relevantes de perda de peso com tirzepatide. O número de pacientes que perderam ao menos 10%, 15%, 20% e até 25% do peso corporal foi consistentemente mais alto do que entre os usuários de semaglutida.
Na prática, os dados mostram que a tirzepatide quase dobrou a eficácia em relação à semaglutida na indução de emagrecimento relevante. Isso consolida o medicamento como uma nova referência no tratamento da obesidade, especialmente para pacientes com sobrepeso severo e dificuldade de resposta a outras abordagens.
Como funciona: mecanismo duplo que faz a diferença
A tirzepatide é um agonista duplo dos receptores GIP e GLP‑1, enquanto a semaglutida atua apenas como agonista de GLP‑1. Essa ação combinada intensifica a supressão do apetite e o controle metabólico, o que explicaria a perda de peso superior observada no estudo.
Segurança e efeitos colaterais: perfil semelhante
Ambos os tratamentos resultaram em efeitos gastrointestinais leves a moderados, principalmente durante a fase de escalada da dose.
As taxas de descontinuação por eventos adversos foram comparáveis, 1,6% para tirzepatida e também para a semaglutida e as descontinuações por qualquer motivo foram de 7,2% para tirzepatida e 10,1% para semaglutida, sugerindo boa tolerabilidade para ambos os medicamentos.
Reações da comunidade médica e do mercado
Especialistas destacam que o estudo oferece dados clínicos robustos para embasar decisões médicas, pacientes e seguradoras sobre o tratamento ideal.
Também é bom lembrar que apesar dos ganhos médios de peso mais expressivos com tirzepatide, há de se considerar outros fatores como facilidade de acesso, custo e cobertura de seguro, que muitas vezes ainda favorecem Wegovy em alguns contextos.
Implicações para o futuro do tratamento da obesidade
- Novos padrões clínicos: o resultado pode reconfigurar novas diretrizes, especialmente para indivíduos com IMC elevado ou com comorbidades.
- Pressão para semaglutida mais potente: a Novo Nordisk já recruta doses maiores de Wegovy, visando reduzir essa lacuna.
- Avaliação de longo prazo: ainda falta investigar efeitos duradouros adicionais, como cardiovasculares, renais e metabólicos.
Conclusão
O ensaio representa uma evolução no tratamento para emagrecer: com 20,2% de perda de peso em 72 semanas, tirzepatide estabelece um novo parâmetro, trazendo mais esperanças a quem luta contra a obesidade crônica.
Ao trazer evidências diretas de superioridade em relação à semaglutida, o estudo pode redefinir prioridades clínicas, amplia o leque terapêutico e pressiona a concorrência para tratamentos mais eficazes, seguros e acessíveis.
Para ler o estudo original completo, clique aqui.
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