Solidariedade e PRD lançam federação partidária
Ex-senador disse que aliança vem para ocupar espaço do "centro democrático", mas Marília Arraes defendeu apoio ao governo
O Solidariedade e o Partido Renovação Democrática (PRD) anunciaram oficialmente, nesta quarta-feira, 25, em cerimônia na Câmara dos Deputados, que formarão uma federação partidária. O evento contou com a participação do presidente das duas siglas – o deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade-SP) e Ovasco Resende -, dos líderes dos partidos na Câmara, do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), e de outros políticos.
As federações foram criadas pela reforma eleitoral de 2021. Quando partidos fazem esse tipo de aliança, passam a atuar com uma única agremiação partidária, em todo o país. Após formada, a federação deve vigorar por pelo menos quatro anos.
O PRD surgiu da fusão entre o Patriota e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), aprovada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2023, mesmo ano em que a Corte deferiu o pedido de incorporação do Partido Republicano da Ordem Social (Pros) pelo Solidariedade.
Uma eventual bancada conjunta do Solidariedade e do PRD na Câmara teria 10 parlamentares, sendo cinco da primeira e cinco da segunda. Os partidos não possuem senadores.
O movimento para formar uma federação partidária ocorre em meio às preocupações de ambos os partidos em superar a cláusula de desempenho nas eleições de 2026.
Atualmente, a regra é que para receber verba do fundo partidário e ter acesso ao tempo de propaganda no rádio e na televisão, o partido precisa, nas eleições para deputado federal, obter pelo menos 2% dos votos válidos, distribuídos em pelo menos nove estados, com um mínimo de 1% dos votos válidos em cada um; ou eleger ao menos 11 congressistas, distribuídos em pelo menos nove estados.
Porém, nas eleições de 2026, ficará mais difícil: o partido precisará obter ao menos 2,5% dos votos válidos, distribuídos em pelo menos nove estados, com um mínimo de 1,5% dos votos válidos em cada um; ou eleger ao menos 13 deputados federais, distribuídos em pelo menos nove estados.
Independente ou governista?
A Executiva Nacional da federação Solidariedade-PRD – denominada Renovação Solidária – será formada por quatro membros de cada sigla. Futuramente, a Executiva definirá quem serão os comandantes da aliança em cada estado.
A Solidariedade-PRD foi apresentada no evento como “uma federação que se afasta dos extremos, com racionalidade e um compromisso irrefutável com a democracia”.
O ex-senador José Reguffe (Solidariedade) chegou a dizer que ela será de centro, no espectro político.
“O Brasil vive uma polarização que vem fazendo mal ao país. Não se discute um projeto sério para o futuro do Brasil. Não se discute um projeto de desenvolvimento nacional com visão de longo prazo. Um lado só sabe fazer críticas ao outro e ganha votos com a crítica ao outro lado, e não apresentando um projeto de país. Nós precisamos construir um projeto de país. E essa federação vem para ocupar um espaço que está vazio na política brasileira, que é o espaço do centro democrático“, declarou.
“Daquelas pessoas que querem ver um país diferente, querem ver um Estado mais moderno, mais eficiente, que traga resultados na ponta para quem paga impostos neste país e quem precisa do Estado, que é a população, principalmente a mais pobre. Esta federação vem para ser uma opção para oferecer ao Brasil uma alternativa, uma alternativa de um centro democrático, não fisiológico, que é o que precisa ser construído neste país“.
Ainda segundo Reguffe, a federação tem uma responsabilidade “muito grande”, porque há “uma série de brasileiros que estão esperando que surja uma alternativa para este país, distante desta polarização”. “Uma alternativa com integridade, com honestidade, mas principalmente com um projeto de futuro para este país. Esta federação vem para ser protagonista de um projeto nacional. Ela não será apêndice nem força auxiliar de quem quer que seja”.
Por outro lado, a ex-deputada federal Marília Arraes (Solidariedade) disse que defende o presidente Lula (PT) e que a federação fortaleça o governo.
“Estamos celebrando a união de quem pensa diferente, mas principalmente de quem respeita quem pensa diferente. Na nossa federação, há várias divergências em torno de muitas ideias. Inclusive, senador Reguffe, há divergência entre ser centro ou estar em um dos polos dessa polarização. Eu, por exemplo, defendo o presidente lula e que a gente fortaleça o governo. E há diversas outras lideranças que tem críticas ao governo ou que apoiam também o governo do presidente Lula”, declarou.
Ela prosseguiu: “E nós aqui estamos dizendo que respeitamos quem pensa diferente e que buscamos nas divergências a convergência sobre o que realmente importa. A gente quer um Brasil onde o CEP, o endereço de onde a pessoa nasceu não determine quanto tempo ela vai viver, se ela vai viver mais ou menos. Um Brasil onde ser negro ou ser mulher não determine se ele ou ela vai ter uma sentença de morte”.
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