Zema põe em dúvida ditadura militar ao prometer indulto a Bolsonaro
Governador mineiro defendeu perdão ao ex-presidente caso seja eleito ao Palácio do Planalto
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (NOVO), afirmou que concederia indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), caso seja eleito presidente da República em 2026.
“Não foi concedido indulto a assassinos, a sequestradores aqui… Durante o que eles chamam de ditadura? Não é? Então, agora você não vai conceder…”, disse Zema em entrevista à Folha de S.Paulo.
O repórter interrompe o comentário do político e pergunta se o governador tem convicção de que houve uma ditadura no Brasil.
“Não sei, eu não sou historiador. Nunca me aprofundei”, respondeu Zema.
O mesmo jornalista volta a perguntar a Zema: “Você tem dúvida de que teve ditadura?”
“Acho que não”, disse o governador, de maneira confusa.
Os dois repórteres questionam novamente.
“Acha que não foi ou tem dúvida?”, indagam o político.
Zema tenta contornar a resposta:
“Então, mas é… se tiveram sequestradores, assassinos, etc, que tiveram anistia, não foi… então, eu acho que nós devemos olhar para o futuro. Na minha opinião, quando você está fazendo política e só procurando atacar, diminuir seus adversários, eu acho que essa política prejudica muito o andamento da gestão”, disse.
O governador é questionado mais uma vez se reconhece ou não a existência de um período de ditadura militar e disse:
“Acho que é tudo questão de interpretação, Fábio [jornalista]. Acho que aí…”
A repórter interrompe o político e insiste: “Mas qual a sua interpretação. Houve ou não ditadura?”
Zema encerra o assunto:
“Eu prefiro não responder. Porque acho que há interpretações distintas, não é, e houve terroristas naquela época, houve também. Então fica aí… Acho que os historiadores é que tem de debater isso. Eu preciso preocupar, hoje, eu acho que é com Minas Gerais…”
Na última pergunta sobre o tema, o jornalista indaga a Zema se ele daria indulto a Bolsonaro:
“Sim. Daria sim”, confirma o governador.
Os planos de Zema
Como mostrou Crusoé, apesar da força em Minas, Zema não aparece tão bem nas pesquisas para o Palácio do Planalto.
Com percentuais de intenção de votos entre 2% e 8% nas pesquisas, o governador mineiro não figura entre os favoritos para 2026.
Há vários nomes da direita mais bem posicionados, como os governadores Tarcísio de Freitas, Ronaldo Caiado e Ratinho Júnior, além do ex-coach Pablo Marçal, o deputado federal Eduardo Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
O Novo, ainda por cima, é uma legenda pequena, sem capilaridade, com pouco dinheiro para gastar numa campanha de abrangência nacional.
A esperança dos apoiadores de Zema é que 62% dos brasileiros não o conhecem.
Sendo assim, ainda haveria espaço para o crescimento de seu nome nacionalmente.
O caminho mais seguro para Zema, portanto, seria integrar uma chapa como vice-presidente.
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