Haddad: “Sofro bastante no cargo”
"Não tem sido fácil para nenhum ministro da Fazenda", diz em meio à crise gerada pelo aumento do IOF
Em meio à crise gerada pelo aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (foto), afirmou nesta terça-feira, 3, que “sofre bastante” no cargo, mas encontra “alegrias” ao encontrar “soluções mais estruturadas soluções estruturais para os problemas fiscais do país”.
“Não tem sido fácil para nenhum ministro da Fazenda, mas eu gosto de onde eu estou, sobretudo se nós conseguirmos chegar do outro lado da margem com um país mais organizado”, disse durante evento da revista Piauí.
A fala foi feita em meio à tentativa do ministro de recalibrar o decreto que elevou o IOF.
Desde o anúncio do aumento do tributo — que buscava arrecadar cerca de R$ 20 bilhões por meio da taxação de operações como compra de moeda estrangeira e uso de cartão internacional — o governo enfrentou forte pressão do mercado e do Congresso.
Nesta segunda-feira à noite, Haddad teve uma reunião com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), justamente para discutir compensações para uma eventual derrubada da alta do IOF. Ele elogiou a atuação dos dois nas negociações.
“O que aconteceu de uma semana para cá foi a melhor coisa que podia ter acontecido. E nós devemos muito disso aos presidentes. Porque quando a crise, vou chamar assim, se instalou, o papel que se esperava dos dois presidentes, institucionalmente falando, era exatamente o papel que eles cumpriram, de uma maneira muito eficaz”, afirmou.
Haddad disse que não espera aprovação automática de todas as propostas da Fazenda, mas acredita que houve avanços importantes desde o início do governo.
“No balanço geral de dois anos e meio já, eu acredito que nós alcançamos… o Brasil está num patamar diferente do que estava dois anos atrás.”
Mais cedo, o Ministério da Fazenda recuou de parte da medida, ao suspender a taxação sobre o envio de recursos de fundos ao exterior — o que reduziu em R$ 1,4 bilhão o impacto previsto com o aumento do IOF.
A pressão de Motta pelo fim do IOF
Na semana passada, Motta pediu à equipe econômica do governo Lula a suspensão imediata da cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) nas operações conhecidas como risco sacado. A medida entrou em vigor neste domingo, 1º.
Motta quer que o governo recue antes mesmo do fim do prazo de dez dias dado pelo Legislativo para apresentar alternativas. Caso contrário, ameaça pautar um dos mais de 20 projetos de decreto legislativo que anulam o aumento. O deputado também pretende discutir o tema diretamente com o presidente Lula neste fim de semana.
A cobrança sobre o risco sacado — modalidade de antecipação de pagamento via banco entre empresas e fornecedores — foi incluída em um decreto que elevou a alíquota do IOF para até 3,95% ao ano. Antes, a operação não era tributada.
Empresários e economistas criticam a mudança e afirmam que ela deve aumentar os preços ao consumidor. Segundo o Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), o custo do crédito pode subir até 100% ao ano, pressionando o caixa das empresas.
Se atender ao pedido da Câmara, o governo recuará pela segunda vez desde a publicação do decreto. Na semana passada, a Fazenda já havia anulado parte da medida que tributava remessas ao exterior após reação negativa do mercado.
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Comentários (3)
Marian
03.06.2025 18:58Alto lá! São os brasileiros pobres que sofrem senhor.
Fabio B
03.06.2025 14:00Exato, Jean, quem sofre é o povo. Esse imbecil é um completo incompetente. Foi o pior ministro da Educação que o Brasil já teve, o pior prefeito de São Paulo, e agora sacramenta como o pior Ministro da Fazenda.
JEAN PAULO NIERO MAZON
03.06.2025 13:16Quem sofre é o povo... tá ruim pra vc pode pedir para sair! Saia um favor