Operação da PF mira juiz afastado por venda de sentenças
O juiz Ivan Lúcio Amarante, de Mato Grosso, foi afastado por ordem do ministro Cristiano Zanin, do STF
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira, 29, a oitava fase da Operação Sisamnes, que apura um esquema de venda de decisões judiciais e lavagem de dinheiro no Judiciário de Mato Grosso. O juiz Ivan Lúcio Amarante (foto), da 2ª Vara de Vila Rica (MT), foi afastado do cargo por ordem do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também autorizou o bloqueio de bens e valores de até R$ 30 milhões.
Além do afastamento, a PF cumpre três mandados de busca e apreensão em Mato Grosso.
A ofensiva mira uma rede de corrupção com ramificações no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ), envolvendo juízes, lobistas e empresários.
Ivan Amarante já era alvo de investigação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), acusado de atuar em sintonia com o lobista Anderson de Oliveira Gonçalves — preso desde novembro por comandar um esquema de influência em cortes superiores.
Segundo o CNJ, Amarante seguia orientações diretas do lobista, que indicava quais pedidos deveriam ser acolhidos e quais argumentos jurídicos deveriam ser adotados em suas decisões.
Assassinato de advogado
As investigações tiveram origem no assassinato do advogado Roberto Zampieri, morto a tiros em dezembro de 2023, em Cuiabá.
Considerado peça-chave no esquema, Zampieri era conhecido como “lobista dos tribunais” e, segundo a PF, repassava propinas a magistrados. A análise do celular da vítima revelou indícios de pagamentos ilícitos e movimentações financeiras suspeitas.
Na quarta-feira, 28, a PF prendeu os envolvidos no assassinato de Zampieri, entre eles um coronel, um intermediador e o suposto mandante, Aníbal Manoel Laurindo. O grupo, batizado de “Comando 4”, é acusado de homicídio qualificado e pode ter atuado por motivo torpe, mediante promessa de recompensa.
Leia também: Nome de Pacheco aparece em lista de grupo de extermínio alvo da PF
Operação Sisamnes
A Operação Sisamnes já levou ao afastamento de dois desembargadores do TJMT: Sebastião de Moraes e João Ferreira Filho, que hoje usam tornozeleira eletrônica por decisão do CNJ.
Desde sua primeira fase, a investigação já apontou o envolvimento de advogados, assessores de ministros do STJ e empresários num esquema de venda de decisões judiciais e tráfico de influência.
Em desdobramentos anteriores, a PF apurou negócios imobiliários suspeitos e a comercialização de informações sigilosas de investigações em curso.
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Comentários (1)
CLAUDIO NAVES
29.05.2025 11:04Venda de sentenças não há injustiça maior !