Julgamento de Maradona: negligência médica e polêmica na Argentina
Acusações de descaso e suspensão por imparcialidade marcam o processo pela morte de Diego Maradona
Quase cinco anos depois da morte de Diego Maradona, em 25 de novembro de 2020, o julgamento de sete profissionais de saúde acusados de “homicídio simples com dolo eventual” começou em 11 de março desse ano, em Buenos Aires.
As penas podem chegar a 25 anos de prisão. Maradona faleceu aos 60 anos por crise cardiorrespiratória, enquanto se recuperava de uma cirurgia cerebral. Segundo detalhado pela cobertura da imprensa argentina, uma oitava ré, a enfermeira Dahiana Madrid, será julgada separadamente a partir de julho.
A acusação, conduzida pelos promotores Patricio Ferrari, Laura Capra e Cosme Iribarren, aponta negligência grave. Um relatório de 2021, elaborado por diversos especialistas, concluiu que o tratamento foi “inadequado e deficiente”, com Maradona sofrendo por 12 horas antes da morte.
Os promotores alegam que a internação domiciliar foi mal planejada, sem equipamentos ou cuidados necessários, apesar da condição crítica do paciente. Milhares de mensagens trocadas entre os réus sugerem descaso, incluindo frases como “ele vai morrer”. Uma foto de Maradona com inchaço abdominal após a morte foi apresentada como prova da negligência.
Dentre os réus incluem o neurocirurgião Leopoldo Luque, a psiquiatra Agustina Cosachov, um psicólogo, um clínico, uma médica coordenadora, um coordenador de enfermagem e um enfermeiro.
A defesa dos acusados nega as acusações, afirmando que Maradona recusou tratamentos e que sua internação domiciliar foi uma decisão conjunta com a família.
O advogado de Luque argumentou que a morte do ex-jogador decorreu de um evento cardíaco súbito, enquanto a defesa de Cosachov disse que ela tratava apenas a saúde mental.
Um ponto polêmico, ainda de acordo com publicações locai,s é a suspensão do julgamento em maio, após questionamentos sobre a imparcialidade da juíza Julieta Makintach, por autorizar uma equipe de documentaristas a gravar o julgamento do caso para usá-lo num possível podcast, livro ou conteúdo para redes sociais. Conforme alega a família de Maradona, parte dessa equipe teria laços de amizade com a juíza.
A magistrada negou, mas o episódio gerou mais desconfiança. Outro ponto controverso é a conduta da equipe médica, com relatos de que Maradona recebia medicamentos inadequados e não foi monitorado corretamente.
A pressão pública é grande, com larga cobertura de jornais e portais de notícias locais e muitos fãs exigindo justiça em manifestações fora do tribunal. O julgamento, que deve durar até meados de julho, incluiria 120 testemunhas, entre familiares e médicos.
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