Jerônimo e a vala: quem é mais violento, o petismo ou o bolsonarismo?
As consequências sofridas são diferentes, mas a índole é a mesma
É difícil dizer quem tem o discurso mais violento hoje: o petismo ou o bolsonarismo. O que é possível medir são as consequências para cada força política. Quem acompanha política há mais tempo sabe que essa história de radicalização não começou ontem. Há quem acredite que o caldo entornou quando Bolsonaro subiu na tribuna durante o impeachment da Dilma para citar o coronel Brilhante Ustra. Mas a coisa vem de muito antes.
O petismo, inclusive, já fez dobradinha com o próprio Bolsonaro para defender o fuzilamento de Fernando Henrique Cardoso. Está registrado e eu trouxe os áudios no Narrativas Antagonista de hoje. A liderança do PT, naquela época, subiu na tribuna e passou pano. Houve tentativa de punição a Bolsonaro, mas no fim tudo foi tratado como liberdade de expressão.
Hoje, o jogo virou. Deputados estão sendo processados por opinião. E o argumento oficial é que imunidade parlamentar não existe para encobrir crime. Só que é justamente para isso que ela existe: proteger o parlamentar no exercício do mandato, inclusive quando ele comete um crime de opinião. A lógica é clara, se não tem crime não precisa de anistia. A questão é que pensaram em anistia para coisas sérias, como denúncias graves, não para pregar assassinato dos outros.
O que vemos agora é a imunidade sendo ignorada. A esquerda pode tudo. A direita, nada. Tem humorista que até brinca com isso. Se a piada pesa, ele manda um “fiz o L”. A cobertura judicial, política e de imprensa ao redor do PT garante blindagem. Do outro lado, bolsonaristas sofrem as consequências, muitas vezes de forma exagerada ou injusta.
O caso do governador Jerônimo Rodrigues é emblemático. Ele mandou “jogar na vala” quem fosse bolsonarista. A frase virou escândalo. A direita reagiu. Pediram impeachment em discurso e formalmente. Quando fazem isso com políticos de direita, o bolsonarismo diz de forma acertada que é violação da liberdade de expressão. Mas, quando pode, tenta o método que apenas diz condenar.
As consequências sofridas são diferentes, mas a índole é a mesma. Petistas e bolsonaristas se alimentam da mesma lógica: atacar o adversário com violência, teatralizar, desmoralizar, desumanizar e depois se fazer de vítima. Só muda a desculpa. Um lado acha que o seu ódio é justificável, o outro também.
As consequências, por ora, estão caindo só em cima da direita. Mas os desejos são idênticos. Os dois lados querem cassar, cancelar, interditar, silenciar. É a mesma lógica, o mesmo veneno. Só que um deles, a esquerda, ainda conta com proteção institucional.
O que está em jogo aqui não é só liberdade de expressão, é a degradação completa da política. Esses dois polos se alimentam de ódio desde os anos 90. Eles cresceram assim. Se retroalimentam de conflito. E, se ninguém impõe limite, a tendência é só piorar.
Quando a política vira gritaria de bar, quem perde é o cidadão. Vem escândalo atrás de escândalo, vem confusão, vem paralisia. E o Brasil continua patinando. Ou a sociedade exige comportamento decente de seus políticos, ou vai continuar sendo governada por gente que se comporta como dono de boca de fumo.
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Comentários (2)
Ita
07.05.2025 10:05Idênticos com sinais (políticos) trocados.
Marcilio Monteiro De Souza
07.05.2025 09:29Mada, como diz o ditado: quem planta vento colhe tempestade.