Rocha e Facure na Crusoé: Brasil contraria a própria história
Manter relações com Rússia é legítimo. Endossar, com visita presidencial simbólica, o regime de Putin em plena guerra é uma escolha política
O presidente Lula confirmou que viajará em maio para a Rússia, país comandado há décadas pelo autocrata Vladimir Putin.
A visita está marcada para o dia 9 de maio, data simbólica para o regime russo por representar a vitória soviética contra o nazismo na Segunda Guerra Mundial.
Hoje, porém, é a Rússia quem avança sobre países vizinhos, reprime opositores e descumpre sistematicamente as normas do Direito Internacional.
Putin é alvo de mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional, TPI, por crimes de guerra, incluindo a deportação forçada de crianças ucranianas.
Por isso, evita visitar países que são signatários do Estatuto de Roma, como o Brasil, onde teria de ser detido.
Lula, por outro lado, vai até o ditador — e sem, até o momento, sinalizar encontro com Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, país invadido e bombardeado desde 2022.
Se a viagem realmente ocorrer, será a primeira vez que um presidente brasileiro visita um país em guerra ativa.
O gesto rompe com uma tradição diplomática baseada na não-intervenção, na defesa da paz e no respeito à autodeterminação dos povos — princípios expressamente previstos no artigo 4º da Constituição Federal.
A postura do presidente também destoa da prática democrática quando, em vez de equilíbrio, ele opta por reiteradas declarações ambíguas.
Já disse que Zelensky “quer continuar a guerra”…
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