Leia Ruy Barbosa, Nikolas: “A pior democracia é preferível à melhor das ditaduras”
É espantosa a desfaçatez de políticos, como o jovem mineiro, que pregam ruptura institucional como se vendessem água de coco na praia
Meu Deus! Que tempos, que dias. Que classe política é essa que tomou o país de assalto? Se antes abundavam ladrões, hoje abundam ladrões e cretinos. Até hoje, não há razão para chamar Nikolas Ferreira (PL-MG) de ladrão.
Ensina a versão moderna (Google) do antigo Pai dos Burros, também conhecido como Aurélio: Cretino: o mesmo que estúpido, imbecil, quem se comporta de forma desrespeitosa, insolente. Alguém inconveniente, atrevido.
Se “filho de peixe, peixinho é”, cria de golpista, golpista é. O que difere, neste caso, criatura de criador, e me refiro obviamente a Nikolas e Jair Bolsonaro, é o quilate do trombadinha institucional. O jovem é muito melhor, negativamente falando.
Golpismo assumido
Nikolas é inteligente, fala melhor, veste-se melhor, domina à perfeição a comunicação digital, tem mais conteúdo, mais cultura geral. Ou seja, uma ameaça ainda maior à democracia e um perigo aos devotos do bolsonarismo.
Se centenas de pessoas estão sendo condenadas – algumas de forma injusta e desproporcional – pelos atos de 8 de janeiro de 2023, o culpado tem nome e sobrenome: Jair Messias Bolsonaro. Foi ele que idealizou e incentivou a barbárie.
Neste sentido, quando Nikolas defende abertamente a dissolução do STF, como fez na sexta-feira, 25, inicia, ele próprio, a mesmíssima pregação golpista do autocrata original. Atenção para o texto do rapaz no X, antigo Twitter:
Viva la revolución
“A Débora acaba de ser condenada a 14 anos de prisão por pichar uma estátua com batom. O Brasil é dominado por canalhas. A solução é esperar um presidente dissolver essa corte política, convocar concurso público e eleger novos ministros.”
O bolsonarista está se referindo à sentença imposta, pelo STF, à moça por sua participação no quebra-quebra na Praça dos Três Poderes. Para o deputado, se parte do Supremo exagera e erra, a solução é a dissolução do mesmo.
A Constituição prevê algo minimamente próximo a isso? Claro que não! Mas o que é a lei, para quem não tolera nem sequer as diferenças ideológicas, políticas e de gênero? Para quem idolatra um defensor da ditadura e de tortura?
Velhinhas com bíblias nas mãos
Se amanhã ou depois, porventura, um novo grupo de aloprados ainda mais agressivo atentar contra o Estado Democrático de Direito, notadamente contra o Supremo Tribunal Federal (STF), possivelmente o fará motivado também por declarações assim.
Por isso o perigo aos devotos bolsonaristas que me referi acima. Gente como Nikolas é mestre em riscar o fósforo, assistir ao fogo se alastrar e depois acompanhar o rescaldo do incêndio de longe, talvez na Flórida, comendo Buffalo Wings.
É espantosa a desfaçatez de políticos, como o jovem mineiro, que pregam ruptura institucional como se vendessem água de coco na praia: “Atenção, atenção… Olha o golpe, olha golpe… Quem vai querer? Bem baratinho”. Afinal, “Basta um soldado e um cabo”. E Nikolas Ferreira.