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Eduardo Bolsonaro sentiu de novo

Deputado licenciado, que está nos Estados Unidos, deu novo piti em meio ao desespero por anistia a seu pai

Redação O Antagonista

Eduardo Bolsonaro sentiu de novo.

Partiu para ofensas pessoais, como é da sua índole, diante da constatação – ilustrada em meu vídeo viral – de suas contradições políticas.

Na pandemia, defendeu retoricamente a economia. No tarifaço, ajuda a sabotar a economia, inclusive do estado que o elegeu.

Ele se diz em luta pelas “liberdades”.

“Eu, diferente de você, sempre lutarei contra a tirania, independente do disfarce que use.”

Diferente de mim, na verdade – posto que em 2019 eu já defendia a contenção da escalada autoritária do STF pela via constitucional do Senado -, Eduardo Bolsonaro turbinou em 15 de setembro daquele ano a campanha de sua família contra a CPI da Lava Toga, que investigaria a abertura do primeiro inquérito relatado por Alexandre de Moraes.

Na época, seu irmão Flávio era investigado por peculato e precisava da boa vontade no STF de Dias Toffoli e Gilmar Mendes, que seriam alvos da CPI. Essa cronologia pode ser lida no meu artigo “6 anos de inquérito das fake news: conheça sua verdadeira história”.

Eduardo se recusou a combater na raiz o que chama hoje de tirania. “A quem interessa?”, perguntava Flávio. “Vamos tocar o barco”, dizia seu pai, Jair Bolsonaro, que logo abraçou Toffoli e exaltou Gilmar.

Moraes já tinha censurado reportagem verdadeira da revista Crusoé (em 15 de abril de 2019) e alvejado dois procuradores da Lava Jato, além da apuração da Receita Federal sobre esposas dos ministros supracitados do STF, mas Eduardo, se lutou por algo na ocasião, foi pela “liberdade” do irmão mais velho.

Agora, em julho de 2025, ele defende a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, imposta pelo presidente do país que é o maior destino de exportações de São Paulo; arroga-se o crédito por ter influenciado a decisão prejudicial aos exportadores do Brasil; e, como quem deixa o país refém dos interesses de sua família, cobra do Congresso a aprovação de anistia ampla, como solução para a derrubada da medida de Donald Trump. Tudo para garantir a “liberdade” de seu pai, réu no STF por trama golpista – ou seja, por ter tomado uma série de iniciativas em prol de uma tirania para chamar de sua, que só não foi alcançada porque a cúpula do Exército e da Aeronáutica se recusou a apoiar o golpe.

Dos Estados Unidos, para onde fugiu quando não era alvo de inquérito algum, e onde vive sustentado pelo pai, Eduardo acusa de “covarde na defesa das nossas liberdades” quem ficou no Brasil, vigiando e criticando diariamente em artigos, reportagens e programas as pessoas mais poderosas do país – incluindo não só o ministro no qual a família Bolsonaro foca seus ataques por interesse personalíssimo, mas os que fazem sua retaguarda e aos quais a família não ousa exercer a mínima crítica, já que obteve deles os desejados votos e decisões em processos sobre funcionalismo fantasma, enquanto celebrava o desmonte da Lava Jato.

Ignoro aqui as ofensas pessoais, claro, porque são matéria de outro departamento. Mas elas ilustram, mais uma vez, o incômodo de Eduardo com um jornalista não cooptado que, há mais de 6 anos, aponta a ajuda dos Bolsonaro a Lula, reforçada agora por essa afetação delirante de grandeza e heroísmo patriótico em meio à própria sabotagem da economia nacional.

Sentiu demais, hein.

Assista ao editorial de Felipe Moura Brasil:

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