COI proíbe atletas trans na categoria feminina das Olimpíadas
Nova Zelândia promete respeito e cuidado ao aplicar nova política olímpica sobre atletas transgêneros; entidades contestam pesquisa
O Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou uma nova política de elegibilidade para a categoria feminina nos Jogos Olímpicos. A medida estabelece testes genéticos como critério de participação e, na prática, veda a competição de atletas transgênero e de parte das atletas com Diferenças no Desenvolvimento Sexual (DSD) nas provas femininas.
A decisão foi fundamentada em pesquisa conduzida por um grupo de trabalho do próprio COI, que identificou vantagem de desempenho masculino em todas as modalidades esportivas analisadas.
Em esportes que exigem força explosiva, como o levantamento de peso, essa diferença pode ultrapassar 100%. O grupo concluiu também que a supressão de testosterona e os tratamentos hormonais de afirmação de gênero não eliminam essa vantagem.
Nova Zelândia reconhece impacto humano da medida
Nesta sexta-feira, 27, o Comitê Olímpico da Nova Zelândia (CONZ) divulgou nota em que reconhece o trabalho técnico que embasou a política e anuncia sua aplicação com atenção ao bem-estar dos atletas. A diretora-executiva da entidade, Nicki Nicol, afirmou que o foco imediato será compreender as regras antes de qualquer ação concreta.
“Nosso foco agora é compreender plenamente a política e trabalhar com cuidado para garantir que quaisquer próximos passos sejam abordados com clareza, respeito e atenção. Esta é uma área complexa e sensível que afeta diretamente as pessoas, não apenas as políticas”, declarou Nicol.
A dirigente também mencionou o princípio maori de Manaaki — que pode ser traduzido como “cuidado” ou “hospitalidade” — como orientação para a conduta da entidade: “Estamos comprometidos em demonstrar Manaaki, apoiando o bem-estar, a privacidade e a dignidade dos atletas”, disse.
A política afeta diretamente casos como o da halterofilista neozelandesa Laurel Hubbard. Nos Jogos de Tóquio, em 2021, ela se tornou a primeira atleta a disputar uma competição olímpica em categoria de gênero diferente da de seu nascimento. Com as novas regras, não seria mais elegível para competições femininas.
Reações contrárias à política
A medida já enfrenta resistência em diferentes países. Na Austrália, o grupo de direitos esportivos LGBT Pride Cup convocou as federações esportivas nacionais a rejeitarem a política do COI. Muitas dessas entidades haviam assumido compromissos anteriores com a inclusão de atletas com diversidade de gênero.
Opositores da nova política contestam a base científica apresentada pelo COI, e apontam riscos à saúde mental de atletas transgênero submetidas à exclusão. Há também preocupações com atletas que descobrem ter alguma condição de DSD apenas ao realizar o teste genético exigido — o chamado teste SRY —, o que pode gerar impactos psicológicos e de identidade não previstos.
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Comentários (2)
Andre Luis dos Santos
27.03.2026 18:46Excelente!
Ita
27.03.2026 18:05Um pouco de lógica nessas relações é muito nem vinda. Alguém está pensando razoavelmente.