The Lancet: câncer deve aumentar em 61% nos próximos 25 anos
Em um dia típico no ano de 2050, estima-se que 83.000 indivíduos receberão a devastadora notícia de que têm câncer
Um novo estudo publicado na revista The Lancet revela que o número de casos de câncer em todo o mundo deve aumentar em 61% nos próximos 25 anos.
A pesquisa, realizada pelos Global Burden of Disease Study Cancer Collaborators, analisa 47 tipos de tumores associados a 44 fatores de risco modificáveis e projeta um cenário alarmante para a saúde pública até 2050.
Em um dia típico no ano de 2050, estima-se que 83.000 indivíduos receberão a devastadora notícia de que têm câncer, o equivalente à população de uma cidade inteira sendo impactada diariamente.
Este estudo abrange dados coletados em 204 países e territórios entre os anos de 1990 e 2023, oferecendo uma visão abrangente da evolução e das previsões futuras relacionadas ao câncer.
Crescimento dos casos de câncer
Os números são preocupantes: entre 1990 e 2023, o total de casos de câncer dobrou, passando de 9 milhões para 18,5 milhões. Simultaneamente, as mortes aumentaram em 74%, atingindo a marca de 10,4 milhões (excluindo cânceres cutâneos não melanoma).
Para os próximos 25 anos, os novos diagnósticos devem aumentar em 61%, enquanto as fatalidades decorrentes do câncer podem subir em até 75%, alcançando cerca de 18,6 milhões. Esse crescimento é impulsionado principalmente pelo aumento populacional e pelo envelhecimento da sociedade.
A pesquisadora Lisa Force, do Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME) da Universidade de Washington e principal autora do estudo, observa:
“O câncer representa uma carga significativa para a saúde global e continuará a crescer nas próximas décadas, especialmente em países com recursos limitados. Apesar da urgência da situação, as políticas voltadas para o controle do câncer ainda são tratadas como prioridades secundárias na saúde pública mundial, com financiamentos muitas vezes insuficientes”.
Impacto nos países em desenvolvimento
O estudo indica que os países de baixa e média renda são os mais afetados pela epidemia do câncer. Atualmente, essas nações representam mais da metade dos novos diagnósticos e dois terços das mortes relacionadas à doença.
Embora os índices globais tenham apresentado uma redução de 24% nas taxas de mortalidade padronizadas por idade desde 1990 – um feito atribuído principalmente aos países desenvolvidos – as taxas em nações com menos recursos aumentaram: 24% nos países de baixa renda e até 29% nos países de média-baixa renda.
A desigualdade no acesso aos cuidados médicos é uma questão premente. Em muitos países em desenvolvimento faltam recursos para diagnósticos precoces, terapias inovadoras e até mesmo registros para monitoramento dos dados.
“O crescimento contínuo dos casos de câncer nas nações com menos recursos representa uma crise iminente”, alerta Meghnath Dhimal do Nepal Health Research Council.
Para enfrentar essa situação crítica, especialistas enfatizam a necessidade urgente de intervenções eficazes em custo e colaboração entre setores. Investir em prevenção e fortalecer sistemas de saúde deve ser uma prioridade global.
O Líbano é destacado como o país com o maior aumento na incidência e mortalidade por câncer; em contraste, os Emirados Árabes Unidos registraram a maior queda na incidência.
Fatores de risco modificáveis e prevenção
Embora os números sejam alarmantes, há esperança. O estudo aponta que cerca de 42% das mortes por câncer em 2023 (equivalente a 4,3 milhões) estão relacionadas a fatores de risco modificáveis.
O tabaco é identificado como o principal responsável, contribuindo com aproximadamente 21% das mortes globais.
Em homens, outros fatores significativos incluem dieta inadequada, consumo excessivo de álcool, exposições profissionais prejudiciais e poluição do ar. Nas mulheres, além do tabaco, destacam-se relações sexuais desprotegidas, obesidade e dietas pouco saudáveis.
A perspectiva apresentada por Theo Vos (IHME) é clara: “Com quatro mortes entre dez relacionadas a fatores conhecidos que podem ser modificados, existem oportunidades significativas para prevenção através de diagnósticos precisos e tratamentos adequados”.
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