Quem tem esse tipo de célula tem mais chances de ter câncer
Pesquisadores alertam sobre risco maior em jovens.
Nos últimos anos, avanços científicos têm revelado novas informações sobre o câncer de intestino, também conhecido como câncer colorretal. Pesquisadores identificaram que as células desse tipo de tumor podem adquirir características de outros tecidos, como pele e músculo, o que contribui para uma disseminação mais agressiva da doença. Esse fenômeno, chamado de plasticidade celular, tem sido alvo de estudos que buscam entender como o câncer se adapta e se espalha pelo organismo.
O câncer de intestino é atualmente uma das principais causas de morte por câncer no Reino Unido e em outros países, com números crescentes, especialmente entre adultos jovens. Dados recentes apontam que, além do aumento de casos, a doença tem se mostrado mais resistente aos tratamentos convencionais quando atinge estágios avançados, em parte devido à capacidade das células tumorais de mudar sua identidade original.
Como as células do câncer de intestino mudam de identidade?
O processo de transformação das células do câncer de intestino envolve a perda das características típicas das células do cólon. Em vez de manterem sua função original, essas células passam a se assemelhar a células escamosas, que compõem a pele, ou a células musculares. Essa mudança permite que o tumor se torne mais robusto e resistente, facilitando sua sobrevivência em diferentes ambientes do corpo.
Essa capacidade de adaptação, conhecida como plasticidade celular, foi observada em estudos realizados com amostras de tecido humano e modelos animais. Os cientistas descobriram que, ao perderem sua “fidelidade colônica”, as células cancerígenas conseguem invadir outros órgãos, como fígado, linfonodos e diafragma, tornando o tratamento mais desafiador.
Por que a plasticidade celular torna o câncer de intestino mais agressivo?
A plasticidade celular é um fator determinante para a metástase, ou seja, a capacidade do câncer de se espalhar para outras partes do corpo. Quando as células do câncer de intestino assumem características de pele ou músculo, elas se tornam mais resistentes a condições adversas, como a falta de nutrientes ou a presença de medicamentos. Isso aumenta as chances de sobrevivência e proliferação dessas células em ambientes fora do intestino.
- Resistência aumentada: Células semelhantes às da pele suportam melhor condições hostis.
- Capacidade de invasão: Mudanças estruturais facilitam a penetração em outros tecidos.
- Dificuldade no tratamento: A adaptação dificulta a ação de terapias tradicionais.
Além disso, a pesquisa identificou o envolvimento do gene Atrx, já associado a formas agressivas do câncer de intestino. A ausência desse gene foi relacionada ao aumento de tumores metastáticos, indicando um possível alvo para novas abordagens terapêuticas.

Quais são os impactos do aumento do câncer de intestino em jovens?
O crescimento dos casos de câncer de intestino entre pessoas de 25 a 49 anos tem chamado a atenção de especialistas em saúde pública. Estudos internacionais, como o publicado pela American Cancer Society em 2024, mostram que a incidência da doença nessa faixa etária está aumentando em diversos países, incluindo o Brasil. Em algumas regiões, como Escócia e Inglaterra, o crescimento é mais rápido entre mulheres jovens.
- Maior necessidade de campanhas de prevenção e diagnóstico precoce.
- Desafios para o sistema de saúde devido ao perfil mais jovem dos pacientes.
- Importância de pesquisas voltadas para terapias mais eficazes e menos invasivas.
O diagnóstico precoce e o desenvolvimento de tratamentos que impeçam a plasticidade celular podem ser estratégias importantes para conter o avanço da doença. Iniciativas como o CRC-STARS, que reúne especialistas para buscar novas soluções, reforçam a importância da pesquisa colaborativa no combate ao câncer de intestino.
Como a pesquisa pode ajudar no tratamento do câncer de intestino?
Compreender os mecanismos que permitem às células do câncer de intestino mudar de identidade abre caminho para o desenvolvimento de terapias mais direcionadas. Ao identificar fatores genéticos e moleculares envolvidos na plasticidade celular, cientistas buscam criar medicamentos capazes de impedir essa transformação, tornando o câncer menos propenso a se espalhar.
O investimento em pesquisa, aliado ao diagnóstico precoce, é considerado fundamental para melhorar o prognóstico dos pacientes. A expectativa é que, nos próximos anos, novas abordagens possam aumentar a eficácia dos tratamentos e reduzir a mortalidade associada ao câncer de intestino, especialmente entre os mais jovens.
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