Os avanços na luta contra o câncer
A boa notícia muitas vezes passa despercebida pela mídia devido à sua evolução gradual; este é o caso da luta contra o câncer
Atualmente, praticamente todos os adultos conhecem alguém que foi diagnosticado com câncer, ou já enfrentaram a doença pessoalmente. Nos países desenvolvidos, cerca de 50% dos homens e um terço das mulheres enfrentarão essa enfermidade ao longo de suas vidas.
Globalmente, ele representa cerca de uma em cada seis mortes. Para aqueles que avaliam o sucesso da luta contra o câncer com base na expectativa de uma cura em uma década, pode-se concluir que essa guerra foi perdida.
Diminuição contínua e gradual
Contudo, os dados demonstram que a realidade é mais encorajadora do que muitos imaginam. A queda nas taxas ajustadas por idade é evidente desde os anos 90 nos países ricos, resultando em uma diminuição contínua e gradual ao longo dos anos.
Nos Estados Unidos, essa taxa é agora aproximadamente um terço inferior à registrada na década de 1990. Tendências semelhantes podem ser observadas em outras nações desenvolvidas.
O que alguns cientistas esperavam ser uma vitória rápida se transformou em uma longa batalha bem-sucedida.
As vitórias têm sido notáveis; por exemplo, a leucemia infantil, que costumava ser praticamente fatal, agora apresenta uma taxa de sobrevivência superior a 90%.
Entretanto, devido à natureza multifacetada do câncer como categoria de doenças, muitos avanços foram resultado não de grandes descobertas, mas sim de milhares de pequenos progressos em áreas como triagem, cirurgia e medicamentos.
Os progressos
Desde 1975, a queda nas taxas de tabagismo em países ricos evitou mais de três milhões de mortes por câncer apenas nos EUA. Em países com economias emergentes onde o tabagismo ainda é prevalente, campanhas anti-tabaco têm um potencial imenso para reduzir mortes por câncer.
A segunda fonte de progresso está relacionada ao acesso a medicamentos mais acessíveis e recursos financeiros suficientes para adquiri-los.
O câncer cervical é um dos tipos mais comuns entre as mulheres e quase todas as ocorrências estão ligadas à infecção pelo papilomavírus humano (HPV).
Desde 2008, o Reino Unido começou a oferecer uma vacina recém-desenvolvida para meninas adolescentes; hoje, as taxas dessa doença entre mulheres na faixa dos 20 anos caíram 90%, levando autoridades britânicas a prever a virtual erradicação do câncer cervical até 2040.
Enquanto isso, uma versão mais barata da vacina desenvolvida na Índia já fundamenta campanhas de vacinação em massa naquele país.
Por fim, o avanço na aplicação clínica das novas descobertas científicas trará contribuições significativas.
Essa abordagem envolve duas etapas: primeiro, identificar quem está mais suscetível ao desenvolvimento da doença; segundo, encontrar formas eficazes de interromper seu progresso.
Pesquisadores já identificaram variantes genéticas que aumentam o risco de certos tipos de câncer; no entanto, menos da metade dos pacientes diagnosticados apresentam fatores de risco conhecidos.
Identificação precoce
A identificação precoce é crucial para aumentar a eficácia do tratamento. Esse esforço se beneficia do uso de biobancos compostos por amostras biológicas e da capacidade atual de monitorar genes em células vivas — algo impossível há apenas uma década.
Com novos biomarcadores detectáveis no sangue ou no hálito e um entendimento mais aprofundado sobre como combinações genéticas e exposições ambientais predispõem indivíduos ao câncer, médicos poderão direcionar tratamentos para aqueles que realmente necessitam deles.
Além disso, os profissionais da saúde poderão empregar um arsenal crescente de terapias.
Medicamentos acessíveis podem funcionar como profiláticos contra o câncer; por exemplo, estudos indicam que a aspirina reduz pela metade o risco de câncer colorretal em indivíduos com síndrome de Lynch. Outros fármacos também demonstraram potencial promissor.
Ademais das terapias convencionais como cirurgia e quimioterapia, novas técnicas que utilizam o sistema imunológico estão emergindo como alternativas viáveis.
Essas abordagens visam fortalecer a capacidade do organismo para atacar células cancerígenas já estabelecidas ou até mesmo prevenir seu surgimento através da vacinação.
Evolução gradual
A boa notícia muitas vezes passa despercebida pela mídia devido à sua evolução gradual; este é o caso da luta contra o câncer.
Apesar das dificuldades — incluindo altos custos dos tratamentos — há razões para otimismo: os custos tenderão a diminuir com o tempo e novos tratamentos continuarão sendo desenvolvidos globalmente.
Isso se traduz em uma expectativa positiva sobre a continuidade da queda nas taxas ajustadas por idade nos próximos anos.
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