O que Aristóteles tem a dizer sobre o hábito de tomar um cafezinho?
Por que tomar café pode ser mais saudável do que você imagina; porém…
Além de ser a bebida matinal preferida de milhões, o café está se revelando um poderoso aliado da saúde. Um estudo recente conclui que o consumo moderado da bebida pode ajudar as pessoas a viver mais e a viver melhor.
A pesquisa associa o café à redução de riscos de doenças neurodegenerativas como Alzheimer e Parkinson, e também a diversos tipos de câncer – especialmente aqueles relacionados ao metabolismo, como os de fígado, próstata e intestino.
Seria o café um tipo de biotônico?
Com mais de 100 compostos bioativos, o café não é apenas uma dose de energia. Trata-se de uma combinação complexa de antioxidantes e substâncias que regulam processos celulares essenciais.
Esses compostos, como cafeína, magnésio, ácidos clorogênicos, trigonelina, lignanas e diterpenos (cafestol e kahweol), possuem propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias, neuroprotetoras e até anticarcinogênicas.
Como explica Gary L. Wenk, professor de neurociência, imunologia molecular e genética da Universidade de Ohio, a cafeína não apenas estimula o sistema nervoso, mas também atua diretamente na regulação do ciclo celular, na reparação do DNA e na inibição da proliferação de células cancerígenas.
Um aliado em potencial contra o câncer
Lenk, que também é autor do livro “Your Brain on Food”, concorda que diversos fatores, como genética e estilo de vida, influenciam no desenvolvimento do câncer, e a alimentação tem papel crucial na prevenção: “Nesse cenário, o café – uma das bebidas mais consumidas no Ocidente – tem despertado grande interesse científico por seu potencial protetor”.
Pesquisas anteriores, que eram menos favoráveis ao consumo da bebida, mostravam correlações importantes, como o consumo de café com cigarro, comidas gordurosas e quadros gerais de ansiedade. Isolada, a substância não é a vilã que parecia ser.
O que é que o Aristóteles tem a ver com o meu cafezinho?!
No Livro II da Ética a Nicômaco, o filósofo grego Aristóteles se propõe a investigar o que seria aquilo que ele chamava de virtude. Para ele, não bastava dizer que a virtude era uma “disposição de caráter”. Era preciso definir essa disposição.
A argumentação segue e, simplificando muito as coisas, Aristóteles chega à conclusão (sem pular etapas como estou pulando aqui) que “a virtude é uma espécie de mediania”, “um meio-termo entre dois vícios, um por excesso e outro por falta”.
Moral (bastante livre) da história (e da filosofia): os prazeres (e, para quem gosta, o café é um prazer) têm de ser experimentados racionalmente, com o cuidado de não se privar de todos eles (e, assim, se tornar uma pessoa casmurra, amarga, crítica) nem se exceder em todos eles (e, desse modo, prejudicar a própria saúde ou a convivência com os outros).
Conclusão
Os pesquisadores alertam que, apesar de seus efeitos protetores, o consumo excessivo de café – especialmente de cafés não filtrados – pode elevar o colesterol em pessoas suscetíveis, além de provocar outros males. A boa notícia é que, para a maioria de nós, de duas a quatro xícaras por dia podem representar um verdadeiro investimento em bem-estar e longevidade.
Caminho do meio, leitores, por mais chato que pareça.
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