O fim da Aids? Paciente tem remissão do HIV, segundo Nature
Transplante de células-tronco elimina reservatório viral em indivíduo tratado para leucemia, indicando estratégia de cura
Um homem de 60 anos, residente em Berlim, é o sétimo paciente no mundo a alcançar a remissão sustentada do HIV. O resultado foi obtido após um transplante alogênico de células-tronco, realizado como tratamento para leucemia mieloide aguda.
A terapia antirretroviral (ART) foi interrompida há seis anos, em 2018, e a remissão tem se mantido desde então. Esta situação sinaliza uma possível cura para o vírus da imunodeficiência humana (Aids).
Segundo artigo publicado na revista Nature, o paciente foi diagnosticado com HIV-1 subtipo B em dezembro de 2009. Após cinco anos sem manifestar sintomas, sua saúde se agravou, culminando no diagnóstico de leucemia mieloide aguda em abril de 2015.
O tratamento para o câncer do sangue foi iniciado em conjunto com a terapia antirretroviral. Em outubro de 2015, o indivíduo recebeu o transplante de células-tronco alogênicas para tratar a leucemia. O procedimento levou à remissão do câncer e, posteriormente, à descontinuação do tratamento antiviral.
Análises realizadas após o transplante não identificaram vírus com capacidade de replicação no sangue ou nos tecidos intestinais do paciente.
O que os pacientes têm em comum?
A cura do HIV é uma ocorrência extremamente incomum. Existem apenas seis casos documentados anteriormente, em um universo estimado de 88 milhões de pessoas que contraíram o vírus desde o início da epidemia.
Todos os casos de êxito até o momento se restringem a pacientes que receberam transplantes alogênicos de células-tronco para o tratamento de cânceres hematológicos. Este novo caso traz descobertas significativas para o campo da pesquisa médica.
Os pesquisadores sugerem que a chave para a remissão neste indivíduo foi a abordagem intensa no tratamento da leucemia e os mecanismos imunológicos desencadeados pelo transplante. Isso enfatiza a relevância da redução eficiente do reservatório viral nas táticas de erradicação do HIV.
O grupo de pacientes curados inclui Timothy Ray Brown, conhecido como o primeiro “paciente de Berlim”, diagnosticado com HIV em 1995 e leucemia em 2006.
Outros exemplos são Adam Castillejo, o “paciente de Londres”; a terceira paciente, uma mulher que recebeu um tratamento com sangue de cordão umbilical; e o “paciente de City of Hope’. O paciente de Genebra, que entrou em remissão após transplante de medula óssea, havia sido o último caso antes deste novo relato, em 2023.
Todos os pacientes tinham em comum o câncer de sangue e se beneficiaram de um transplante de células-tronco, que “reformulou” seu sistema imunológico.
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Comentários (1)
Carlos Renato Cardoso Da Costa
03.12.2025 11:35Que maravilha!