Hospital das Clínicas da USP ganha equipamento único na América Latina
Investimento de R$ 34,6 milhões amplia área de ressonância magnética e reativa leitos de ginecologia no maior complexo hospitalar do país
O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP inaugurou duas novas estruturas que ampliam sua capacidade de atendimento: um setor de ressonância magnética expandido no Instituto de Radiologia e uma ala reformada na Divisão de Ginecologia do Instituto Central. O aporte total foi de R$ 34,6 milhões, provenientes de parceria entre a universidade e o governo estadual de São Paulo.
A principal novidade tecnológica é um aparelho de ressonância de 3 Tesla com sistema de gradientes de alta performance, sem similar em toda a América Latina. O equipamento gera imagens com maior resolução e precisão diagnóstica. O setor passou de 582 m² para 808 m² e agora opera com cinco equipamentos, sendo quatro adquiridos nesta expansão.
O processamento das imagens ganhou suporte de inteligência artificial, o que reduziu o tempo de análise em torno de 30%. Com o funcionamento ininterrupto, 24 horas por dia, a produção de exames cresceu 20%. As salas foram adaptadas com ambientes temáticos e painéis de LED, e os aparelhos têm túneis de maior diâmetro, para atender pacientes com obesidade ou claustrofobia.
Leitos reativados e mais cirurgias
Na Divisão de Ginecologia, a reforma reativou 26 leitos de enfermaria, elevando o total ativo para 48. A estrutura amplia a oferta de cirurgias minimamente invasivas para condições como endometriose profunda, miomas uterinos e tumores de ovário, procedimentos que exigem infraestrutura hospitalar de alta complexidade.
As inaugurações de 11 de março marcaram, também, o primeiro aniversário do programa de expansão e modernização do HC, iniciado no segundo semestre de 2024. Desde então, foram reabertos 264 leitos em cinco institutos do complexo: o do Coração (Incor), o Central, o do Câncer, o de Psiquiatria e o da Criança e do Adolescente. Desse total, 77 são de UTI, 150 de enfermaria e 29 de hospital-dia.
Os indicadores de atendimento refletem o aumento da capacidade instalada. A média mensal chegou a 66,4 mil pacientes-dia, com crescimento de 11,5%. As saídas hospitalares subiram 15,5%, e o número de cirurgias avançou quase 30% em alguns institutos. A taxa de ocupação média ficou em 82%, e a realização de exames laboratoriais atingiu 1,2 milhão por mês, alta de 16,3%.
Escala do complexo hospitalar
O HC da USP é o maior complexo hospitalar da América Latina. Com mais de 600 mil metros quadrados e 2.611 leitos instalados, registra por ano mais de 60 mil internações, cerca de 48 mil cirurgias e mais de 888 transplantes. O hospital também contabiliza mais de 140 mil atendimentos de urgência e emergência e aproximadamente 2,2 milhões de consultas ambulatoriais.
No recorte da alta complexidade, o HC responde por 36% das internações desse tipo na cidade de São Paulo, 15% no estado e 3,3% no país — dados que dimensionam o peso da instituição na rede pública de saúde.
O secretário estadual da Saúde, Eleuses Paiva, afirmou que a parceria com a USP foi uma escolha deliberada: “Quando iniciamos esse processo de expansão da rede, a Universidade de São Paulo foi o primeiro lugar em que batemos à porta, porque sabíamos que encontraríamos aqui um parceiro confiável, com capacidade técnica e espírito de inovação”.
Paiva acrescentou que o modelo adotado prioriza o aproveitamento de estruturas já existentes: “São investimentos inteligentes, que não demandam verbas vultuosas de grandes obras, mas que impactam enormemente as pessoas ao promover um aproveitamento racional daquilo que já está disponível”.
O reitor da USP, Aluisio Augusto Cotrim Segurado, situou as inaugurações no contexto da missão da universidade: “As inaugurações que celebramos hoje reafirmam o significado do HC para a Universidade e para a população. No fim, não são apenas paredes e equipamentos que fazem a diferença, mas as pessoas que trabalham aqui e garantem um cuidado humano e qualificado”.
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