Exercício físico é mesmo um “remédio” para o cérebro?
Novo estudo indica que mesmo atividades leves têm impacto positivo na saúde mental
Um estudo inovador da Universidade do Sul da Austrália, publicado no British Journal of Sports Medicine, revelou que a prática regular de exercícios físicos pode trazer benefícios significativos para o cérebro – independentemente da frequência, duração ou intensidade do exercício.
O estudo analisou mais de 2.700 pesquisas com mais de 250 mil participantes e mostrou que todas as formas de exercício – desde simples caminhadas até ioga e jogos – são eficazes para melhorar funções como memória, cognição geral e habilidades executivas.
Qualquer atividade é melhor que nenhuma atividade
Embora qualquer intensidade de exercício tenha sido benéfica para a saúde cognitiva, de acordo com as pesquisas, os efeitos foram geralmente maiores em intervenções de intensidade baixa a moderada.
“O mais surpreendente é que até atividades leves têm impacto positivo na saúde mental”, afirma o pesquisador Ben Singh. “Até mesmo exercícios de baixa intensidade podem melhorar a cognição, tornando-os acessíveis a pessoas de todas as idades e capacidades”.
Práticas como ioga e Tai Chi apresentaram efeitos notáveis sobre a memória e a função cerebral, graças à combinação de movimento e atenção plena (mindfulness).
Curiosamente, os exergames, videogames que unem esforço físico com desafios mentais, destacaram-se como os mais eficazes para a cognição geral.
Política pública de saúde e educação
Doenças associadas ao declínio cognitivo, como Alzheimer e Parkinson, são uma preocupação global de saúde, e sua prevenção depende de estratégias eficazes para manter ou melhorar as capacidades cognitivas ao longo da vida.
Segundo Carol Maher, coautora e pesquisadora sênior da Universidade do Sul da Austrália, os resultados reforçam a urgência de incluir o exercício físico como parte fundamental das políticas públicas de saúde e educação: “Saber que até pequenas quantidades de exercício podem melhorar a memória e a função cerebral apresenta uma oportunidade clara para que o exercício seja incluído em diretrizes clínicas e de saúde pública”.
Nunca é demais ressaltar que as pesquisas sobre exercícios medem um dos fatores preventivos ou “curativos” em torno de saúde mental, o que não dispensa acompanhamento médico ou terapêutico adequado.
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