EUA suspendem vistos e ampliam triagem para conter Ebola
Medida vale por 30 dias e atinge viajantes que passaram pelo Congo, por Uganda ou Sudão do Sul
Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) anunciaram nesta segunda-feira, 18, um conjunto de restrições de entrada e procedimentos de triagem em aeroportos voltados a conter a disseminação do Ebola no território americano.
As medidas foram desencadeadas pela declaração da Organização Mundial da Saúde (OMS) de emergência sanitária internacional em razão do surto em curso na República Democrática do Congo.
Quem é afetado e como funciona a restrição
Segundo informações divulgadas pelos CDC, portadores de passaportes não americanos que tenham estado no Congo, em Uganda ou no Sudão do Sul nos últimos 21 dias ficam impedidos de ingressar nos Estados Unidos. A suspensão temporária de vistos também foi confirmada pela embaixada americana em Kampala, capital de Uganda, com notificação direta aos solicitantes já agendados.
Passageiros provenientes das regiões afetadas que cheguem a aeroportos americanos serão submetidos a exames médicos. O período inicial das medidas é de 30 dias.
Caso confirmado e dimensão do surto
De acordo com a agência de saúde pública americana, um cidadão dos EUA em missão de trabalho no Congo testou positivo para o vírus na noite de domingo, 17. “A pessoa desenvolveu sintomas durante o fim de semana e testou positivo na noite de domingo”, declarou Satish Pillai, responsável pela gestão de incidentes relacionados ao Ebola nos CDC.
O surto é causado pela cepa Bundibugyo, com taxa de mortalidade estimada entre 25% e 50%, para a qual não existe vacina nem tratamento específico. O Ministério da Saúde congolês registrou, até o domingo, 91 mortes e aproximadamente 350 casos suspeitos. A maioria dos infectados tem entre 20 e 39 anos, e mais de 60% são mulheres.
Contexto político e resposta internacional
Os CDC afirmaram que “o risco imediato para o público geral dos Estados Unidos é baixo” e que seguem em colaboração com parceiros internacionais. O Departamento de Estado informou a mobilização de US$ 13 milhões em ajuda para esforços de resposta imediata.
O cenário, porém, é marcado por tensões institucionais. O governo Trump retirou os EUA formalmente da OMS em 2026, e cortes na Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) — historicamente central nas respostas a surtos de Ebola — não tiveram seu impacto esclarecido pelas autoridades.
Matthew Kavanagh classificou a resposta americana como “decepcionante” e afirmou que “este surto demonstra claramente que essa é uma estratégia fracassada”, em referência à aposta do governo em acordos bilaterais no lugar de estruturas multilaterais de saúde.
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