Cigarro: saúde gasta R$ 5 para cada R$ 1 de lucro do tabaco
O tabagismo provoca cerca de 174 mil mortes evitáveis por ano, ou 477 óbitos diários, sendo 20 mil causadas pelo fumo passivo
O tabagismo é uma crise de saúde pública que custa caro ao Brasil. Segundo o estudo “A Conta que a Indústria do Tabaco Não Conta”, do Instituto Nacional de Câncer (Inca), para cada 1 real de lucro da indústria do tabaco, o país gasta outros 5 no tratamento de doenças relacionadas ao fumo.
Os custos diretos, como tratamentos de câncer, doenças cardíacas, respiratórias e AVC, somam 67,2 bilhões de reais por ano. Já os custos indiretos, incluindo perda de produtividade e afastamentos, chegam a outros 86,3 bilhões.
O tabagismo provoca cerca de 174 mil mortes evitáveis por ano, ou 477 óbitos diários, sendo 20 mil causadas pelo fumo passivo, isto é, quando pessoas não fumantes inalam a fumaça de tabaco de dos fumantes no seu entorno.
Embora dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs), como cigarros eletrônicos, sejam proibidos no Brasil desde 2009, eles são facilmente encontrados à venda e atraem os mais jovens, impulsionados pelo marketing agressivo e até mesmo apelo tecnológico, conforme alerta a Organização Mundial da Saúde (OMS).
O Brasil é considerado uma das referências mundiais no combate ao tabagismo, com políticas públicas iniciadas nos anos 1980, como a proibição de propagandas de cigarros e o Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT).
A recente Reforma Tributária, reconhecida na 78ª Assembleia Mundial da Saúde, introduziu impostos ditos “saudáveis” que elevam o preço final do cigarro, visando reduzir o consumo especialmente entre jovens.
Um outro aspecto do tabagismo que nem sempre é lembrado é que esses altos impostos não afetam a poderosa indústria de cigarros falsificados ou contrabandeados, que representa cerca de 40% do mercado.
Ainda que esse número tenha diminuído, cerca de 10 a 12% da população brasileira é fumante e para quem quer largar esse vício, vale lembrar que o SUS oferece tratamento gratuito, disponível nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).
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