Porto do Pecém bate recorde e avança como hub estratégico de energia e logística
Com 20,9 milhões de toneladas movimentadas em 2025, complexo concentra projetos bilionários e se posiciona na transição energética global
O Complexo Industrial e Portuário do Pecém deixou de ser apenas um corredor de exportação para se tornar um dos principais polos de investimento do país. Com mais de R$ 130 bilhões em projetos previstos até 2030, o complexo reúne iniciativas que vão de terminais de combustíveis e ferrovia à produção de hidrogênio verde e à implantação de um dos maiores parques de data centers do Brasil.
A estrutura é administrada por uma joint venture entre o Governo do Ceará e o Porto de Roterdã, maior porto da Europa, combinando operação internacional com estratégia de desenvolvimento regional. O complexo integra um porto offshore, modelo em que as embarcações atracam em estruturas avançadas sobre o mar, com dez berços de atracação, área industrial e Zona de Processamento de Exportação, o que permite produção voltada à exportação com incentivos fiscais e maior agilidade operacional. Em 2025, recebeu o Selo de Sustentabilidade do Ministério de Portos e Aeroportos.
Os números de 2025
O porto fechou o ano com movimentação de 20,9 milhões de toneladas, crescimento de 7% em relação a 2024. A operação de contêineres atingiu 706.509 TEUs, unidade equivalente a um contêiner padrão de 20 pés, registrando alta de 27%, o maior volume da sua história. As rotas internacionais de longo curso responderam por 9,6 milhões de toneladas, crescimento de 19%, com destaque para combustíveis minerais, ferro fundido e minérios.
A exportação de frutas cresceu 14%, com melão, melancia e mamão ampliando presença no mercado externo. O Complexo opera com 4 linhas semanais de longo curso e sete rotas semanais de cabotagem, conectando o Ceará a outros portos brasileiros e a mercados na Europa, Ásia e América do Norte.
Expansão e nova capacidade logística
A carteira de investimentos em andamento projeta uma mudança de escala ao longo da próxima década.
O Terminal de Tancagem, voltado ao armazenamento de combustíveis líquidos, tem investimento de R$ 600 milhões e previsão de entrada em operação em 2027.
Em 2028, chega ao Complexo o terminal associado à Transnordestina, ferrovia de 1.206 quilômetros que ligará o Piauí ao Ceará atravessando 53 municípios e já em fase de testes desde dezembro de 2025. Com aporte inicial de R$ 1,3 bilhão, o terminal tem capacidade de movimentar até 6 milhões de toneladas no primeiro ano, integrando ao porto o fluxo de grãos, fertilizantes e minérios vindos do interior do Nordeste. Com sua entrada em operação, a movimentação total do porto pode alcançar até 28 milhões de toneladas anuais.
Para 2030, estão previstos dois projetos voltados ao gás natural. O Terminal Gás do Nordeste, com investimento de R$ 1,04 bilhão, é um terminal portuário dedicado ao recebimento e movimentação de gás natural com capacidade de 500 mil toneladas por ano. O Projeto Jandaia, por sua vez, prevê a construção da Térmica GNL, usina termelétrica vencedora do leilão federal de reserva de capacidade em março de 2026, com investimento de R$ 6,5 bilhões. Para receber o projeto, o Porto do Pecém vai ser ampliado para a construção do Píer Zero, uma obra de R$ 430 milhões que vai garantir infraestrutura com unidade flutuante de regaseificação para fornecimento de gás à usina e às demais indústrias do Complexo.
Hidrogênio verde e infraestrutura digital
Um dos principais vetores de transformação do Pecém está na produção de hidrogênio. Europa, Japão e Coreia do Sul buscam fornecedores capazes de produzir esse tipo de energia em escala. Projeções da Agência Internacional de Energias Renováveis e da BloombergNEF indicam que o Brasil reúne condições para ser um dos produtores mais competitivos até 2030, com vantagem concentrada no Nordeste, em especial no Pecém, onde a combinação de vento, sol e disponibilidade territorial permite escala industrial.
O hub em desenvolvimento no Pecém reúne sete pré-contratos assinados e investimento estimado em R$ 66 bilhões, com previsão de operação a partir de 2030. Entre os projetos está o da Casa dos Ventos, com aporte de cerca de R$ 12 bilhões e decisão final de investimento prevista para dezembro de 2026.
Na Zona de Processamento de Exportação, também está em implantação um complexo de data centers com investimento previsto de R$ 66 bilhões na primeira fase e início de operação estimado para 2028.
O Complexo do Pecém reúne hoje mais de R$ 130 bilhões em projetos assinados ou em negociação avançada para entrar em operação até 2030.