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A inflação já não é mais a mesma
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Redação O Antagonista
3 minutos de leitura 27.05.2026 17:07 comentários
Economia

A inflação já não é mais a mesma

Estudo traz evidências de mudança estrutural no custo de alguns fatores que pressionam o indicador, como os custos de energia elétrica

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Redação O Antagonista
3 minutos de leitura 27.05.2026 17:07 comentários 0
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A inflação já não é mais a mesma
Imagem: IA por José Inácio Pilar
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As projeções de inflação para 2026 no Boletim Focus divulgado nesta semana ultrapassaram a barreira de 5%, atingindo 5,04% (frente a 4,92% na semana anterior). Foi a 11ª alta semanal consecutiva. Em paralelo, a estimativa para a taxa Selic ao final de 2026 foi mantida em 13,25%.

Para os anos seguintes, o mercado projeta um IPCA de 4,01% em 2027 (com Selic a 11,25% ao ano), 3,65% em 2028 (com Selic a 10,00% ao ano) e 3,50% em 2029 (com Selic a 10,00% ao ano).

O mais significativo, no entanto, pode estar na mudança do perfil estrutural da inflação detectada por especialistas, que aponta para pressões que a política monetária tradicional pode ter dificuldades para combater.

O estudo

O artigo A inflação brasileira ficou mais complexa, publicado em duas partes no Blog do IBRE/FGV pelos economistas André Braz e Matheus Dias, sustenta que a inflação brasileira atual não responde apenas ao choque conjuntural dos preços do petróleo, causado pela guerra no Irã. Ela resulta da combinação de gargalos de custos industriais, mercado de trabalho aquecido e pressões estruturais de energia.

O que mudou na dinâmica dos preços

O Choque Estrutural da Energia: A alta no preço da eletricidade deixou de ser uma oscilação temporária de bandeira tarifária. A construção de data centers, a expansão da frota de veículos elétricos, a digitalização e a eletrificação industrial criaram um aumento estrutural na demanda por energia, elevando permanentemente os custos de produção.

Mercado de trabalho aquecido: Com o desemprego em 6,1% e crescimento real de salários, a inflação de serviços (altamente dependente de mão de obra) roda a persistentes 5,74%, pressionando a base de custos das empresas.

Transmissão de custos globais: A alta do petróleo no mercado internacional impacta diretamente os derivados petroquímicos. Isso encarece insumos industriais essenciais, como PVC, resinas e asfalto, gerando inflação na cadeia de suprimentos e na construção civil (INCC).

Por que isso importa

O novo perfil da inflação exige que tomadores de decisão adaptem suas estratégias.

Como a inflação é de custos (energia, insumos petroquímicos e salários) e não de excesso de demanda, repassar esses aumentos para o preço final será difícil sem perder volume de vendas, tornando a eficiência operacional e a renegociação de contratos de energia críticas para a sobrevivência das margens.

Com a Selic projetada em 13,25% para 2026 e mantida em dois dígitos até pelo menos 2029, o custo de rolagem de dívidas e financiamento de investimentos continuará alto, exigindo taxas de retorno robustas para viabilizar novos projetos.

Resumo da ópera

A inflação brasileira tornou-se um quebra-cabeça de custos estruturais — energia cara, salários em alta e insumos industriais pressionados. Assim, planos de negócios de médio prazo devem ser desenhados sob a premissa de que o dinheiro continuará caro (Selic em no mínimo 10% até 2029) e a defesa das margens operacionais exigirá disciplina rígida de custos, eficiência energética e cautela no endividamento.

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