Rodolfo Borges na Crusoé: Congresso abaixo do radar
Pesquisas indicam que os brasileiros não dão a devida atenção para o que seus parlamentares fazem, apesar de desconfiarem muito deles
O Congresso Nacional resolveu ampliar o número de deputados em 18, para 531, aproveitando uma instrução do Supremo Tribunal Federal (STF) para redistribuir os 513 parlamentares entre os estados de acordo com dados demográficos atualizados. Lula vetou a ampliação e a Câmara já retaliou o governo do presidente, mas a maioria dos brasileiros (53%) não ficou sabendo de nada disso.
Crusoé destacou, assim como outros veículos de imprensa, que o aumento no número de deputados acrescentaria 64,6 milhões de reais por ano ao gasto atual, de 1,4 bilhão de reais anuais.
O Antagonista também chamou atenção para o fato de que a maior parte da população (76%) se disse contra a medida quando questionada sobre o assunto, em pesquisa Datafolha.
Emendas desconhecidas
Mas levantamentos Genial/Quaest divulgados nesta semana sugerem que a população brasileira não está prestando tanta atenção assim ao que ocorre no Congresso — e talvez isso explique por que os parlamentares se sentem tão confortáveis para elevar os gastos dessa forma.
Além de apenas 44% da população brasileira ter conhecimento da tentativa dos deputados de aumentar o número de vagas na Câmara, menos gente ainda (27%) sabe que os congressistas têm 50 bilhões de reais em emendas parlamentares para gastar, um valor recorde.
O assunto não é tão simples assim de compreender, mas esse é o pano de fundo da atual crise entre os três Poderes, que o Supremo Tribunal Federal (STF) se apresentou para mediar como se não fizesse parte dela.
Desde o governo Dilma Rousseff, o Congresso vem avançando em suas prerrogativas de participar das decisões sobre como deve ser gasto o Orçamento federal. Lula resolveu tentar retomar o poder perdido e foi pedir ajuda ao STF, mas a questão se arrasta há meses sob a mediação de Flávio Dino.
Desconfiança
Segundo a mesma pesquisa Genial/Quaest, 82% dos 2.004 brasileiros ouvidos de 10 a 14 de julho acham que as emendas parlamentares…
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