Roberto Ellery na Crusoé: Novos tempos e velhas práticas
As semelhanças e consequências das medidas econômicas adotadas por Trump e Brasil
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, parece trabalhar, desde janeiro de 2025, para reduzir as diferenças entre a terra do livre mercado e as economias da América Latina.
A Nova América trabalha com tarifas muito acima das observadas em países avançados, e mesmo na maioria dos emergentes, com objetivo de proteger a indústria local.
A preocupação com dívida pública, que já andava meio fora de moda, desapareceu com a Big Beautiful Bill, uma proposta orçamentária de dar inveja a nossos tipos mais gastadores.
Estatísticas ruins para economia deixaram de inspirar debates para melhorar os números e passaram a ser razão para demitir os responsáveis pelos cálculos.
Como não podia deixar de ser, a guinada americana chegou na política monetária com ameaças a Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos EUA, culminando com a tentativa de demissão de Lisa Cook, diretora do Fed.
Tudo isso, e outras coisas mais, em cerca de oito meses — um feito de fazer inveja a muitos caudilhos que já passaram por nossa América, aquela que fica abaixo do Rio Grande.
Diante de tanta novidade vinda do Norte, alguém poderia imaginar novidades por aqui também. Afinal, se eles resolveram tentar nossa receita para o subdesenvolvimento, por que não tentamos a receita deles para o desenvolvimento?
Infelizmente não foi o caso.
Para além das bravatas políticas, nossa grande resposta no campo econômico foi um pacote de ajuda às empresas afetadas pelas tarifas: o Plano Brasil Soberano. Um pacote caracterizado pela velha combinação de crédito subsidiado, incentivos fiscais e prorrogação de prazos tributários.
De saída, são 30 bilhões de reais em linhas de crédito, 4,5 bilhões de reais de fundos garantidores e mais 5 bilhões de reais de crédito tributário.
Não sei se era bem isso que Trump estava pensando quando disse que a conta das tarifas seria paga por outros países…
O conjunto de medidas, como de costume, segue o roteiro de ignorar os efeitos dos incentivos…
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