O retrocesso planejado

o antagonista

Assine Entre

10.06.2026

logo-crusoe-new
Crusoé
  • Últimas Notícias
  • Brasil
  • Mundo
  • Economia
  • Lado oa!
    • Carros
    • Entretenimento
    • Esportes
    • Imóveis
    • Tecnologia
    • Turismo
    • Variedades
  • Colunistas
  • Newsletter
Pesquisar Menu
o antagonista X
  • Olá

    Fazer login Assine agora
  • Home

    Editorias

    Newsletter Colunistas Últimas Notícias Brasil Mundo Economia Esportes Crusoe
  • Mídias

    Vídeos Podcasts
  • Anuncie conosco Quem Somos Política de privacidade Termos de uso Política de cookies Política de Compliance Perguntas Frequentes

E siga O Antagonista nas redes

Menu Menu Menu
O Antagonista

O retrocesso planejado

avatar
Felippe Hermes
7 minutos de leitura 23.11.2022 15:26 comentários
Opinião

O retrocesso planejado

Frédéric Bastiat nasceu em 1801 em uma França revolucionária, comandada por Napoleão Bonaparte, e a despeito do cenário conturbado em seu país, cresceu tornando-se um dos mais proeminentes jornalistas econômicos da Europa. Como Joseph Schumpeter registraria anos mais tarde, Bastiat foi o primeiro a abordar um importante conceito econômico, o "custo de oportunidade", em sua obra "Ce qu'on voit et ce qu'on ne voit pas" (o que se vê e o que não se vê). Coube a ele também registrar a parábola da janela quebrada, além da ficcional petição dos fabricantes de vela, revoltados com o sol que provia iluminação gratuita, afetando seus negócios...

avatar
Felippe Hermes
7 minutos de leitura 23.11.2022 15:26 comentários 0
O retrocesso planejado
Foto: Montsera/Pexels
  • Whastapp
  • Facebook
  • Linkedin
  • Twitter
  • COMPARTILHAR

Frédéric Bastiat nasceu em 1801 em uma França revolucionária, comandada por Napoleão Bonaparte, e a despeito do cenário conturbado em seu país, cresceu tornando-se um dos mais proeminentes jornalistas econômicos da Europa. Como Joseph Schumpeter registraria anos mais tarde, Bastiat foi o primeiro a abordar um importante conceito econômico, o “custo de oportunidade”, em sua obra “Ce qu’on voit et ce qu’on ne voit pas” (o que se vê e o que não se vê). Coube a ele também registrar a parábola da janela quebrada, além da ficcional petição dos fabricantes de vela, revoltados com o sol que provia iluminação gratuita, afetando seus negócios.

Os quase 2 séculos que separam as obras de Bastiat e o Brasil do século 21, porém, parecem minúsculos na medida em que compreendemos seus conceitos e teorias. Imagine, por exemplo, que durante anos adotamos por aqui uma estratégia para desenvolver uma indústria local, subsidiando diversos setores, com bilhões em recursos públicos, crédito subsidiado e legislações. Da indústria automotiva a indústria naval, nos tornamos um país obcecado com o subsídios e com a lógica de desenvolvermos setores econômicos na base da canetada. E as razões para isso são mais do que evidentes. Inaugurar grandes fábricas, estaleiros e obras é algo que agrada qualquer político. É fácil ligar a instalação de uma montadora a um governante e atribuir-lhe o mérito pelo feito.

Isso é o que Bastiat descrevia como “O que se vê”. Já o que “não se vê”, é algo complexo, invisível aos olhos e difícil de rastrear.

Como Rafael Vasconcellos da FGV aponta neste estudo aqui, a má alocação de capital custa ao Brasil uma verdadeira fortuna. Chamada de “misallocation”, a construção de projetos considerados ineficientes, os gastos para manter tais projetos e investimentos feitos sob incentivo de crédito subsidiado, se corrigidos, poderiam tornar a indústria brasileira 146% mais produtiva. Na China e Índia, este número gira em torno de 50%, enquanto nos Estados Unidos é menor do que 30%. Em outras tantas áreas vemos essa ineficiência planejada funcionar. No setor logístico, por exemplo, o Brasil gasta 12% do PIB ao ano, contra menos de 8% dos EUA e China. A diferença significa dizer que gastamos para transportar nossa produção por volta de R$300 bilhões a mais por ano do que deveríamos. Dinheiro que deixa de ser empregado em algo que agregue mais bem-estar às famílias.

Em outro ponto, ainda mais chocante, um estudo realizado pelos pesquisadores do Insper Rodrigo Soares e Guilherme Hirata, aponta que uma redução média de 10,3% nas tarifas de importação brasileiras na primeira metade dos anos 90, levou a uma queda de 18% na desigualdade salarial entre brancos e negros. Em suma, maior concorrência, melhores incentivos na alocação de recursos e regras mais simples, poderiam tornar o Brasil um país mais rico e menos desigual. Parece simples e óbvio, mas é o exato oposto do que construímos ao longo da nossa história.

Somos hoje o 7o país mais desigual do planeta, e ao contrário do que adoram dizer os fãs de Margaret Thatcher, desigualdade pode sim ser um problema. E no Brasil, com toda certeza é.

Somos um país que planeja desigualdade.

Não é coincidência que sejamos o único país do mundo a ter uma hiperinflação (uma inflação superior a 50% ao mês), sem termos tido uma guerra, como a Alemanha de Weimar, ou Grécia e Hungria pós Segunda Guerra. Por aqui, chegamos a ter uma taxa de inflação superior a 21 trilhões nos 15 anos que antecedem o plano real. E tal prática está diretamente associada à irresponsabilidade do governo. Vimos um milagre econômico, mas não vimos alguns mecanismos perversos por trás. Dois mecanismos em específico ajudam a explicar este caos. A conta movimento, um mecanismo no qual os bancos públicos financiavam gastos públicos via empréstimos, e a indexação. A inflação de um ano servia de base para corrigir os preços do outro.

O resultado é que, ao contrário da classe média que podia se proteger usando o sistema financeiro, os desbancarizados brasileiros foram espoliados via imposto inflacionário por décadas. A inflação foi o mais cruel meio de tortura legado pela ditadura brasileira, e acabou após um plano focado quase que integralmente em um princípio: responsabilidade fiscal. É difícil imaginar como um orçamento público equilibrado pode resultar em pessoas mais ricas, mas este é exatamente o caso do Plano Real. Na medida em que as contas públicas foram reorganizadas e se tornaram previsíveis, os custos com o imposto inflacionário saíram de 6% do PIB em 1993, para menos de 0,5% em 1995.

Toda essa diferença ficou principalmente com a parcela mais pobre do país, que não utilizava overnight para se proteger da inflação. Os anos seguintes reforçaram ainda mais a necessidade de se ter um orçamento equilibrado. Alguns estados, viciados em se financiar via crédito de bancos públicos, passaram a enfrentar problemas, como é o caso do Rio Grande Do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Esse desequilíbrio demorou a ser combatido, e muitos deles ainda persistem. No RS, por exemplo, de cada R$100 gastos com segurança, cerca de R$65 são destinados a pagar aposentadorias e pensões de policiais militares. Como então defender que se afrouxe a reforma da previdência? Era a ideia do candidato derrotado nas eleições. Por sorte, não irá pra frente.

A nível federal, porém, esse entendimento sobre relevância de responsabilidade fiscal não parece contar com a sorte. O novo governo espera poder gastar mais, em um momento onde os juros estão em alta e o crescimento em baixa. Seguindo as pretensões da equipe econômica do candidato vitorioso, podemos voltar aquele modelo econômico pautado pelo que se vê, os grandes estaleiros e obras, e pouco, ou nenhum avanço, sobre o que não se vê, como o impacto de marcos regulatórios e regras mais claras. Apenas com a PEC da Transição, também conhecida como a “PEC Argentina”, o governo pode reverter a trajetória de gasto público, levando o país a voltar a ter déficits nas contas públicas.

A consequência difícil de se ver, mas que está lá, é a irredutibilidade dos juros.

Com o governo gastando mais, é difícil reduzir os juros, dado que a demanda de recursos para financiar o próprio governo estará em alta. Se há maior demanda por dinheiro, o seu preço fica mais caro. Oferta e demanda pura e simples. E este cenário leva a algo que já conhecemos bem. Juros em alta são um impeditivo para investimentos. É difícil construir projetos cujo retorno seja maior do que a taxa paga pelo governo para quem comprar seus títulos. Para piorar, o governo sabe disso, e por isso aposta em crédito subsidiado. O Itaú BBA estima que os bancos públicos poderiam hoje emprestar R$2 trilhões a mais, a maior parte em crédito subsidiado.

Resumo da ópera: o governo pretende gastar mais, sob a desculpa de favorecer gastos sociais, o que por sua vez mantém os juros em alta, afastando investimentos produtivos. Isso deve ser contornado por crédito subsidiado, que favorece investimentos ruins, o que torna o país mais pobre ao longo do tempo, graças ao custo de financiar projetos ineficientes. A irresponsabilidade do governo, porém, não tira votos. E este é o grande dilema ao qual o Brasil parece estar disposto a se sujeitar novamente. Como escreveu certa vez Nelson Rodrigues, “subdesenvolvimento não se improvisa, é obra de séculos”. Algo que sabemos bem.

Nunca foi tão fácil estar bem informado Siga nosso canal no WhatsApp
  • Mais lidas
  • Mais comentadas
  • Últimas notícias
1

Os penduricalhos dos juízes do grupo criado para estudar penduricalhos

Os penduricalhos dos juízes do grupo criado para estudar penduricalhos
2

‘Gênero não é salvo-conduto para prática de crime’, diz Cármen Lúcia

‘Gênero não é salvo-conduto para prática de crime’, diz Cármen Lúcia
3

Crusoé: Censura de Nunes Marques é Direito Xandônico com sinal trocado

Crusoé: Censura de Nunes Marques é Direito Xandônico com sinal trocado
4

Nada de novo na nova delação de Daniel Vorcaro

Nada de novo na nova delação de Daniel Vorcaro
5

Governistas veem “tiro no pé” da campanha de Flávio com suspensão de pesquisa

Governistas veem “tiro no pé” da campanha de Flávio com suspensão de pesquisa
6

Crusoé: “Eles vão apenas se deixar em paz por mais uma semana ou algo assim”

Crusoé: “Eles vão apenas se deixar em paz por mais uma semana ou algo assim”
7

Plenário do TSE deve manter suspensão de pesquisa que mostrou queda de Flávio

Plenário do TSE deve manter suspensão de pesquisa que mostrou queda de Flávio
8

Crusoé: Janja explica por que Lula não vai à missa

Crusoé: Janja explica por que Lula não vai à missa
9

Crusoé: Quando a dor dos outros vira entretenimento

Crusoé: Quando a dor dos outros vira entretenimento
10

Nunes Marques dá 15 dias para Janones apresentar resposta a queixa-crime

Nunes Marques dá 15 dias para Janones apresentar resposta a queixa-crime
1

Os penduricalhos dos juízes do grupo criado para estudar penduricalhos

Os penduricalhos dos juízes do grupo criado para estudar penduricalhos
2

Crusoé: Carta do PT a evangélicos não menciona aborto

Crusoé: Carta do PT a evangélicos não menciona aborto
3

'Gênero não é salvo-conduto para prática de crime', diz Cármen Lúcia

'Gênero não é salvo-conduto para prática de crime', diz Cármen Lúcia
4

“Lula está quebrando a economia do Brasil”, diz Renan Santos

“Lula está quebrando a economia do Brasil”, diz Renan Santos
5

Toffoli toma posse como ministro efetivo do TSE

Toffoli toma posse como ministro efetivo do TSE
6

Governistas veem "tiro no pé" da campanha de Flávio com suspensão de pesquisa

Governistas veem "tiro no pé" da campanha de Flávio com suspensão de pesquisa
7

Nada de novo na nova delação de Daniel Vorcaro

Nada de novo na nova delação de Daniel Vorcaro
8

Plenário do TSE deve manter suspensão de pesquisa que mostrou queda de Flávio

Plenário do TSE deve manter suspensão de pesquisa que mostrou queda de Flávio
9

As preocupações de Cármen Lúcia sobre o impacto da IA nas eleições

As preocupações de Cármen Lúcia sobre o impacto da IA nas eleições
10

Talíria diz que redução da maioridade penal é “mentira”

Talíria diz que redução da maioridade penal é “mentira”
1

Horóscopo do dia: previsão para os 12 signos em 10/06/2026

Horóscopo do dia: previsão para os 12 signos em 10/06/2026
2

Toffoli propõe regular vídeos em pesquisas de opinião

Toffoli propõe regular vídeos em pesquisas de opinião
3

Nunes Marques vota por manter pesquisa suspensa e ministra pede vista

Nunes Marques vota por manter pesquisa suspensa e ministra pede vista
4

Protestos agitam Belfast após caso de violência atribuído a imigrante

Protestos agitam Belfast após caso de violência atribuído a imigrante
5

MPF aciona Justiça para que Hospital Albert Einstein adote cotas na residência médica

MPF aciona Justiça para que Hospital Albert Einstein adote cotas na residência médica
6

Por que Lula não vai à missa? Janja rebate Malafaia e PT lança carta para evangélicos

Por que Lula não vai à missa? Janja rebate Malafaia e PT lança carta para evangélicos
7

Toffoli toma posse como ministro efetivo do TSE

Toffoli toma posse como ministro efetivo do TSE
8

Câmara aprova acordo entre Mercosul e Efta

Câmara aprova acordo entre Mercosul e Efta
9

Base governista tranca pauta na Câmara para pressionar votação da PEC 6×1 no Senado

Base governista tranca pauta na Câmara para pressionar votação da PEC 6×1 no Senado
10

8 receitas juninas para os dias frios

8 receitas juninas para os dias frios

Nunca foi tão fácil estar bem informado Siga nosso canal no WhatsApp

Tags relacionadas

economia juros PEC da gastança PEC da Transição subsídios
< Notícia Anterior

Espanha goleia a Costa Rica por 7 a 0

23.11.2022 00:00 4 minutos de leitura
Espanha goleia a Costa Rica por 7 a 0
Próxima notícia >

Pastor é suspeito de liderar bloqueios nas rodovias no Tocantins, aponta polícia

23.11.2022 00:00 4 minutos de leitura
Pastor é suspeito de liderar bloqueios nas rodovias no Tocantins, aponta polícia
avatar

Felippe Hermes

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (0)

Torne-se um assinante para comentar

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (0)


Icone casa
Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com a Política de cookies.

Seja nosso assinante

E tenha acesso exclusivo aos nossos conteúdos

Apoie o jornalismo independente. Assine O Antagonista e a Revista Crusoé.

Assine
o antagonista
o antagonista

Redação SP

Av Paulista, 777 4º andar cj 41 Bela Vista, São Paulo-SP
CEP: 01311-914

Anuncie Conosco

Últimas Notícias Brasil Mundo

Economia Lado oa! Colunistas Newsletter

Icone do Twitter Icone do Youtube Icone do Whatsapp Icone do Instagram Icone do Facebook

Quer receber notícias do Antagonista em seu e-mail?

Assine nossa newsletter e receba as principais notícias em seu e-mail

Com inteligência e tecnologia:
Object1ve - Marketing Solution
Quem Somos Hora extra Política de privacidade Termos de uso Política de Cookies Política de compliance Princípios Editoriais Perguntas Frequentes Anuncie
O Antagonista , 2026, Todos os direitos reservados, 25.163.879/0001-13.
Background do rodapé