No circo populista, Paulo Guedes foi estatizado por Bolsonaro

04.10.2026

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No circo populista, Paulo Guedes foi estatizado por Bolsonaro
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Redação O Antagonista
4 minutos de leitura 22.02.2021 11:46 comentários
Opinião

No circo populista, Paulo Guedes foi estatizado por Bolsonaro

A intervenção de Jair Bolsonaro na Petrobras é truculenta, inquestionável e irresponsável. Agora, diante da óbvia repercussão negativa da troca de presidente da empresa, com as ações da Petrobras despencando, o dólar em alta e o risco país disparando, tenta-se remendar o estrago com um discurso que só não faz rir porque é de chorar: o de que o presidente da República não quer intervir no preço dos combustíveis...

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No circo populista, Paulo Guedes foi estatizado por Bolsonaro
Foto: EDU ANDRADE/Ascom/ME

A intervenção de Jair Bolsonaro na Petrobras é truculenta, inquestionável e irresponsável. Agora, diante da óbvia repercussão negativa da troca de presidente da empresa, com as ações da Petrobras despencando, o dólar em alta e o risco-país disparando, tenta-se remendar o estrago com um discurso que só não faz rir porque é de chorar: o de que o presidente da República não quer intervir no preço dos combustíveis.

Releia-se a fala do general Joaquim Silva e Luna, que Bolsonaro vai colocar no lugar de Roberto Castello Branco:

“O presidente não fez qualquer recomendação pra mim com relação a preço, a interferência em política de preço. Até porque, pelo pouco que eu conheço ainda da atividade interna da Petrobras, política de preço é competência da diretoria-executiva, ou seja, é uma vontade coletiva.”

Logo em seguida, no entanto, o general complementou: “O momento é sensível, é sensível até com relação à ponta da linha, onde está o caminhoneiro, quem usa o gás. O que está impactando mais é o valor do barril de petróleo no mundo e o próprio valor do câmbio, que já tá alto há algum tempo. A preocupação do presidente é legítima, né. Acho que é de todos nós. Eu diria que ela tá em dois aspectos, pelo que eu percebi: previsibilidade dos preços e o preço do combustível propriamente dito.”

Ou seja, o presidente não quer interferir, mas quer. Esse general Silva e Luna é, ao que parece, um segundo Eduardo Pazuello. Vai cumprir ordens com o aval dos conselheiros da Petrobras que não querem perder a boquinha. Não há outra explicação para a troca de presidente da empresa, a não ser a vontade de Jair Bolsonaro de repetir o erro de Dilma Rousseff e fazer sangrar o caixa da Petrobras para subsidiar o preço dos combustíveis.

A queda de Castello Branco também se explica, segundo o próprio defenestrado anda dizendo a interlocutores privilegiados, pela sua recusa em financiar com publicidade da Petrobras as redes de TV amigas do presidente. O rachuncho pretendido pelo presidente, de acordo com o que o Globo publicou e foi confirmado por este site, era de 100 milhões de reais.  Não é preciso ser um gênio da raça para concluir que se trata de financiamento indireto para a campanha de reeleição de Jair Bolsonaro, em 2022. Os acionistas da Petrobras teriam, portanto, de pagar não apenas pelo subsídio ao preço dos combustíveis como pela propaganda política do presidente da República.

Enquanto isso, o ministro da Economia, Paulo Guedes, segue fazendo o papel que lhe foi conferido pelo inquilino do Planalto: o de palhaço auxiliar. O ministro que privatizaria tudo foi estatizado por Bolsonaro. E, a acreditar nas indicações do presidente, Guedes ainda será mais humilhado com a intervenção presidencial no setor elétrico. O poderoso chefão quer diminuir as contas de luz para agradar aos eleitores mais pobres, assim como quer segurar o preço dos combustíveis para acariciar os caminhoneiros, a sua massa de manobra sobre rodas. Esqueça-se a privatização da Eletrobras.

Guedes faz papel de palhaço auxiliar nesse circo, depois de cair da corda como equilibrista. Para dar a impressão de que o espetáculo era uma maravilha, o ex-equilibrista estimulou o Banco Central a baixar artificialmente a taxa básica de juros ao nível mais baixo da história, como se isso fosse fazer grande diferença nas taxas cobradas dos cidadãos e empresas pelos bancos. Não só não fez, como impulsionou o dólar para cima e, consequentemente, o preço dos combustíveis que Bolsonaro agora quer segurar com o dinheiro dos acionistas da Petrobras. Quando o preço do barril do petróleo estava baixo, por causa da queda de demanda mundial em função da pandemia, até dava para disfarçar o erro calculadamente grosseiro. Com a retomada econômica, ainda que tímida, já não é mais possível encobrir o populismo endereçado ao distinto e ignaro público. E ninguém fala em quebrar o monopólio de facto da Petrobras, esse mastodonte que domina o mercado brasileiro, serve como cabidão de empregos e foi protagonista do maior escândalo da corrupção da história do Brasil. O petróleo é nosso, sabe como é.

O circo estatal nunca teve a menor graça.

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