Leonardo Barreto na Crusoé: Para Trump, o forte não precisa se desculpar com o fraco
O mundo vai ser melhor, mais pacífico e belo, nas suas palavras, se cada um cuidar bem de si mesmo e buscar ser o mais forte que conseguir
O discurso feito por Donald Trump na ONU nesta semana foi histórico por diversas razões (e elogiar o Lula não é uma delas).
Sua fala foi, provavelmente, a mais debochada que já se ouviu falar.
Após reclamar de escadas rolantes e do teleprompter que não funcionaram – a Casa Branca suspeita de sabotagem –, Trump disse que, quando trabalhava no mercado imobiliário, participou de uma licitação para a reforma do prédio da ONU.
Mas sua proposta, segundo ele, foi preterida por outra mais cara e de qualidade inferior. Nas entrelinhas, acusou a entidade de corrupção e superfaturamento.
Na sequência, Trump atacou duas vacas sagradas do mainstream político atual: a imigração e a transição energética.
Chamando a atenção dos países da Europa Ocidental, o americano afirmou que a política de portas abertas para cidadãos de outras nacionalidades estava destruindo a cultura europeia e gerando violência urbana.
Também falou que privilegiar fontes renováveis aumentou tanto o custo da energia que fez a indústria do Velho Continente se mudar para a China.
Logo depois, discutiu a inação trazida pelo multilateralismo. Afirmou que, com o uso da força econômica e ameaças militares, já havia encerrado vários conflitos que, se tivessem ficado a cargo da ONU, não teriam sido solucionados.
Nesse ponto, voltou a apontar o dedo para os países europeus, acusando-os de financiar a Rússia — via compra de energia — mesmo estando em guerra com ela.
No que toca ao nosso continente, é importante lembrar que o convite a Lula só veio depois de muitas críticas e um ultimato: o Brasil, se não estiver alinhado com os EUA, vai falhar (“Without us, they will fail”). A tão celebrada “química” entre Lula e Trump, cantada em prosa e verso, só veio depois de muitas acusações e ameaças.
Foi como se alguém te acusasse de todos os impropérios e o ameaçasse rispidamente, mas, em algum momento dissesse: “Olha, eu gosto de você, temos uma química…
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