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Foi menos sobre Janones e mais sobre Boulos contra Pablo Marçal

A rachadinha já foi normalizada no Congresso porque os eleitores também a consideram normal

Madeleine Lacsko

O espetáculo recente no Conselho de Ética foi muito menos sobre André Janones e as acusações de rachadinha do que sobre a eleição de São Paulo. Esta eleição é crucial para as duas forças populistas com viabilidade política no Brasil: o lulismo e o bolsonarismo. E os eventos recentes deixaram isso claro.

A rachadinha já foi normalizada no Congresso porque os eleitores também a consideram normal. Ontem, vimos deputados indignados com as acusações de rachadinha, mas quando essas acusações pesavam sobre Bolsonaro e seus filhos, as desculpas eram as mesmas que ouvimos agora dos petistas. E vice-versa. Tanto petistas quanto bolsonaristas sabem que não perdem votos ao defender seus aliados em casos de rachadinha, porque o eleitor defende o seu lado e só aponta a corrupção do lado oposto.

A corrupção no Brasil não cresce apenas porque os políticos são corruptos, mas porque os eleitores incentivam essa corrupção. Essa dinâmica precisa ser superada.

Esse contexto explica por que a recente discussão foi sobre a eleição de São Paulo e por que Pablo Marçal se posicionou estrategicamente naquele cenário, provocando Guilherme Boulos a responder e focar nele em uma situação desfavorável. O PT sempre quis um candidato próprio em São Paulo, mas acabou cedendo a candidatura a Boulos, prometida por Lula. Boulos tem mais viabilidade eleitoral que os candidatos propostos pelo PT, mas essa concessão veio com um preço alto.

Colocar Boulos na posição de defender Janones em meio a uma pré-campanha é um custo significativo. Não porque abale sua imagem – defender esse tipo de coisa no Brasil não tira votos – mas porque cria oportunidades para os adversários se beneficiarem. Isso aumenta a visibilidade de Pablo Marçal, que sabe utilizar as redes sociais. O próprio Janones aposta que o influencer estará no segundo turno.

Parecia que Bolsonaro apoiava a reeleição do prefeito Ricardo Nunes, mas de repente ele chama Pablo Marçal, alguém com um perfil mais alinhado ao bolsonarismo, e lhe confere a simbólica medalha de “imbrochável”. Isso sinaliza claramente seu apoio. Teremos uma batalha eleitoral em São Paulo: de um lado, Guilherme Boulos com o apoio de Lula; do outro, Pablo Marçal, apoiado por Bolsonaro, enquanto Ricardo Nunes tenta encontrar seu espaço representando a política tradicional.

Há uma curiosidade na política que diz que Minas Gerais é uma espécie de réplica do Brasil. O que se vê em Minas é um resumo das diferenças regionais do país. E neste momento, temos três mineiros no centro das atenções: Nikolas Ferreira, André Janones e Pablo Marçal, todos representando uma política ruidosa e combativa, mas sem muitas propostas concretas. As pessoas gostam deles pelo que dizem pensar, não pelo que podem fazer. Hoje, é uma boa fórmula de sucesso.

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