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Alguém consegue domar Pablo Marçal num debate?

Ninguém consegue domar Pablo Marçal num debate. Isso tem uma razão central: ele não precisa, de fato, ter uma performance brilhante

Madeleine Lacsko

Ninguém consegue domar Pablo Marçal num debate. Isso tem uma razão central: ele não precisa, de fato, ter uma performance brilhante para ser considerado vencedor. A estratégia dele não se limita ao que acontece no palco, mas se estende para um ecossistema de seguidores leais que ele construiu ao longo dos anos. Marçal domina o espetáculo de ser o anti-sistema, e isso já é suficiente para mantê-lo na dianteira aos olhos de seus apoiadores.

Durante o debate, meu querido colega Josias de Souza leu uma declaração que Marçal havia dado sobre exagerar em suas falas para atrair atenção. Quando questionado se acredita que as pessoas realmente apreciam esse tipo de comportamento, ele adotou uma tática comum e eficaz: atacar jornalistas. Esse movimento sempre rende aplausos, independentemente de quem é o jornalista, da sua história, ou de sua orientação política. O público está cansado, e descontar sua frustração nos jornalistas virou um padrão, algo que Marçal aproveita muito bem. Josias de Souza não faz nada do que Pablo Marçal alegou que ele faz, mas isso não importa para um público que odeia jornalistas e se divorciou da realidade.

É fácil se enganar ao ver Marçal em ação e acreditar que seus seguidores estão ali apenas por suas bravatas nos debates. Na verdade, ele construiu sua base através de outras vertentes: família, espiritualidade e prosperidade. Marçal é um mestre em motivar pessoas nesses campos, e é aí que ele realmente brilha. Sua esposa, Carol Marçal, e seus filhos também fazem parte desse universo, ampliando ainda mais o alcance e a lealdade do seu público. Para muitos, ele não é apenas um político, mas um guia que ajudou a mudar suas vidas.

Ele transita bem na onda de descontentamento que se espalha pela sociedade: com o Estado, com as instituições tradicionais, com a imprensa. Quando Marçal diz que quer fazer política do seu jeito, ele está propondo aplicar a lógica do influencer à política, o que seu público rapidamente adota. E para ele, o jeito de fazer isso é “esculhambando” tudo — um espetáculo que muitos adoram assistir.

Se no primeiro debate Marçal não foi bem, a diferença agora é clara: ele aprendeu rápido. Ele e Tábata Amaral são exemplos de candidatos que rapidamente entenderam o que funcionava e se adaptaram. Tábata, por exemplo, percebeu que antagonizar Marçal poderia levá-la mais longe, enquanto Guilherme Boulos, que deveria ser o antagonista central, acabou sendo ofuscado, para desgosto de seus apoiadores. 

Quanto às denúncias contra Marçal, sobre processos e possíveis ilegalidades, é importante notar que em um cenário onde o atual presidente, Lula, saiu da prisão para ocupar o cargo mais alto do país, acusações de desonestidade perderam força como arma política. Para o público, o que mais importa é o espetáculo e o desafio ao status quo, algo que Marçal entrega com maestria. Em um ambiente assim, a pergunta não é mais se alguém consegue domar Pablo Marçal em um debate, mas se alguém consegue roubar dele o show.

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