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A briga é pela derrota de João Doria

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Mario Sabino
4 minutos de leitura 16.05.2022 10:39 comentários
Opinião

A briga é pela derrota de João Doria

Céus, como os tucanos brigam. Brigam na vitória e brigam na derrota. Brigam para vencer e brigam para ser vencidos. A briga entre João Doria e Bruno Araújo é pela derrota. O ex-governador paulista quer perder a eleição presidencial por mérito próprio: não admite ser tirado da corrida eleitoral porque ganhou as prévias tucanas; o presidente do PSDB prefere perder apoiando Simone Tebet, candidata do MDB que também não tem apoio do MDB...

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A briga é pela derrota de João Doria
Foto: Governo do Estado de São Paulo

Céus, como os tucanos brigam. Brigam na vitória e brigam na derrota. Brigam para vencer e brigam para ser vencidos. A briga entre João Doria (foto) e Bruno Araújo é pela derrota. O ex-governador paulista quer perder a eleição presidencial por mérito próprio: não admite ser tirado da corrida eleitoral porque ganhou as prévias tucanas; o presidente do PSDB prefere perder apoiando Simone Tebet, candidata do MDB que também não tem apoio do MDB. Bruno Araújo acredita que a candidatura de João Doria é tão ruim, mas tão ruim, que acabará levando Rodrigo Garcia (ao lado de Doria, na foto), atual governador de São Paulo, à derrota na eleição ao Palácio dos Bandeirantes, espécie de feudo tucano que o PT ambiciona tomar com Fernando Haddad.

De fato, o maior objetivo do PSDB teria de ser manter o governo de São Paulo. João Doria orbita em torno dos 3% dos votos no primeiro turno da corrida ao Palácio do Planalto. O fato de ser muito conhecido no Brasil, depois da altíssima exposição durante a pandemia, por causa da propaganda da Coronavac, não lhe dá muita margem de crescimento. Quem conhece não gosta. A sua rejeição é semelhante à de Jair Bolsonaro, na casa dos 60%. Só que, como disse o tucano José Aníbal, o presidente da República tem 30% das intenções de voto.

João Doria diz que a composição do PSDB com o PMDB é um golpe contra ele. Os dois partidos contrataram pesquisas quantitativa e qualitativa para saber qual seria o candidato mais viável: se João Doria ou Simone Tebet. Considerando que, nas pesquisas divulgadas até o momento, o primeiro, como já dito, tem 3% das intenções de voto, e a segunda tem 1%, essas pesquisas deverão servir apenas para deixar ainda mais à vontade quem, em ambos os partidos, prefere apoiar Lula ou Jair Bolsonaro.

No fim de semana, Aécio Neves prestou solidariedade a João Doria, assim como Fernando Henrique Cardoso. Ambos preferiam Eduardo Leite como candidato, quando o então governador gaúcho parecia ser um bom nome, embora os doristas tivessem espalhado que Aécio Neves gostaria mesmo é que o PSDB não tivesse candidato nenhum a presidente, para que o fundo eleitoral ficasse mais gordo para as campanhas do partido aos governos estaduais e ao Congresso — o que ele diz ser invenção dos adversários. A solidariedade de Aécio Neves é aquela do mineiro só solidário no câncer, para usar a frase que Nelson Rodrigues atribuiu a Otto Lara Rezende, que sempre negou ter dito isso. Depois de tentar torpedear João Doria, que já quis expulsar o mineiro do PSDB, o que Aécio Neves não quer ter agora é um compromisso com o MDB que possa fortalecer Rodrigo Garcia e rachar a sua base em Minas Gerais e alhures, inclusive porque ele sabe que Simone Tebet está mais para candidata de fachada. Prefere perder de maneira descompromissada com João Doria, fingindo que o apoia, mas em marcha unida. Se o pré-candidato tucano desistisse, mas sem MDB na jogada, melhor ainda. Quanto a FHC, na falta de um candidato tucano viável, tudo o que ele deseja é ver Lula na presidência da República, sem que haja um desmanche do PSDB.

Aécio Neves lamentou que tenham “ejetado” João Doria do Palácio dos Bandeirantes. Em 31 de março, o “calça apertada” ensaiou desistir da candidatura presidencial, para concorrer outra vez ao governo de São Paulo. Conseguiu algumas horas de holofotes e voltou atrás no mesmo dia. Consta que, para convencê-lo a persistir na corrida ao Palácio do Planalto, foi decisiva uma conversa com Milton Leite, o presidente da Câmara Municipal de São Paulo que já cogitou ser candidato a senador pela União Brasil e ajuda a sustentar, em mais de um sentido, dóricos e dorianos nas diversas instâncias paulistas. A conversa teria sido dura e Milton Leite teria utilizado milhões de argumentos convincentes para que João Doria mantivesse a sua candidatura presidencial e não tirasse Rodrigo Garcia da recondução ao Palácio dos Bandeirantes. Rodrigo Garcia, que se filiou ao PSDB apenas em 2021, oriundo do mesmo DEM de Milton Leite, é considerado um completo forasteiro no tucanato. Forasteiro que causa arrepios em Aécio Neves e outros integrantes históricos do PSDB, porque poderia dominar o partido.

Tem muita gente interessada na derrota anunciada de João Doria. É por isso que eles brigam tanto e a coisa pode acabar na Justiça.

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Mario Sabino

Mario Sabino é jornalista, escritor e sócio-fundador de O Antagonista. Escreve sobre política e cultura. Foi redator-chefe da revista Veja.

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