Zelensky pede que líderes estrangeiros evitem Moscou
Ucrânia e Rússia anunciaram tréguas em datas distintas, acirando a disputa de narrativas em torno das comemorações do fim da Segunda Guerra Mundial
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, fez um apelo público nesta quinta-feira, 7, para que representantes de países aliados da Rússia não compareçam ao desfile militar previsto para 9 de maio em Moscou.
A celebração, realizada anualmente na Praça Vermelha, marca o encerramento da Segunda Guerra Mundial na Europa.
Kiev e Moscou divergem sobre a validade do cessar-fogo declarado pelas duas partes em datas diferentes — e sobre quem, de fato, os está cumprindo.
Tréguas em disputa
O governo russo anunciou a suspensão das operações militares para os dias 8 e 9 de maio, período que coincide diretamente com as festividades do Dia da Vitória. A Ucrânia, por sua vez, havia proposto sua própria trégua com início em 6 de maio.
Zelensky rejeitou a iniciativa de Moscou, classificando-a como uma manobra para garantir a realização do desfile sem riscos, e não como um gesto real de cessar-fogo. “Querem que a gente permita que eles realizem o desfile, para que possam sair à praça em segurança por uma hora, uma vez por ano, e depois continuar matando”, afirmou o presidente ucraniano.
Na quarta-feira, Zelensky já havia acusado as forças russas de lançar novos ataques mesmo após a entrada em vigor da trégua unilateral declarada por Moscou.
Avisos e ameaças de retaliação
Pouco antes do discurso de Zelensky, o Ministério da Defesa russo divulgou um comunicado dirigido à população civil de Kiev e aos funcionários de representações diplomáticas estrangeiras na capital ucraniana.
O texto pedia que essas pessoas deixassem a cidade “a tempo”, em antecipação a possíveis ações militares russas caso a Ucrânia interferisse nas comemorações. “Relembramos à população civil de Kiev e ao pessoal das missões diplomáticas estrangeiras a necessidade de deixarem a cidade a tempo”, dizia o comunicado.
O Ministério das Relações Exteriores russo já havia feito pedido semelhante na quarta-feira, solicitando que embaixadas evacuassem funcionários e cidadãos da capital ucraniana diante da possibilidade de um “ataque de retaliação”.
Zelensky, ao comentar sobre a presença de representantes estrangeiros no desfile, disse ter recebido sinalizações de países próximos à Rússia confirmando a intenção de enviar delegados a Moscou. “É um desejo estranho… nestes dias. Não recomendamos”, declarou.
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