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WSJ: Khan foi acusado de agressão sexual antes de pedir prisão de Netanyahu

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Redação O Antagonista
8 minutos de leitura 11.05.2025 14:04 comentários
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WSJ: Khan foi acusado de agressão sexual antes de pedir prisão de Netanyahu

Assistente contou ter atrasado queixa contra promotor do TPI para garantir emissão de mandado contra primeiro-ministro de Israel

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Redação O Antagonista
8 minutos de leitura 11.05.2025 14:04 comentários 1
WSJ: Khan foi acusado de agressão sexual antes de pedir prisão de Netanyahu
Universidade de Oxford
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Uma das assistentes do promotor-chefe do Tribunal Penal Internacional (TPI), Karim Khan (foto), uma advogada malaia na casa dos trinta anos, relatou a investigadores da Organização das Nações Unidas (ONU), segundo o Wall Street Journal, ter sido vítima de agressões sexuais cometidas por ele durante meses anteriores à emissão dos mandados de prisão contra o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o então ministro da Defesa, Yoav Galant.

De acordo com depoimentos obtidos pelo jornal americano, ela – que é muçulmana – adiou a denúncia dos abusos porque não queria atrapalhar a expedição desses mandados, também usada por Khan como forma de pressioná-la a permanecer em silêncio.

O subtítulo da matéria destaca ainda que “a ousada decisão de processar o líder israelense por crimes de guerra conquistou apoio no tribunal internacional para o promotor, à medida que as alegações de abuso sexual surgiam”.

O promotor-chefe nega qualquer má conduta, incluindo a conexão entre os dois episódios.

Como Karim Khan teria abusado de sua assistente?

Nos primeiros dois meses após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, a pressão aumentou sobre Khan. Os pró-palestinos o chamaram de “facilitador de crimes de guerra”, e o bloco de países em desenvolvimento que são membros do tribunal exigiu ação, levando a um confronto entre Khan e Washington e outros aliados israelenses no Ocidente. 

‎Khan estava em Nova York no início de dezembro de 2023, como parte de uma reunião do tribunal na sede da ONU. De acordo com fontes do tribunal, o promotor-chefe atacou sua equipe pelas críticas que recebeu. A assistente malaia, que frequentemente viajava com Khan a trabalho, pediu para se encontrar com ele para pedir que se acalmasse. Ele disse a ela para ir naquela noite à sua suíte no Millennium Hilton Hotel, em Nova York, perto da ONU.

Lá, segundo o testemunho dela à ONU, Khan começou a tocá-la sexualmente, um padrão que, de acordo com ela, continuou por meses. A mulher, casada e mãe de um filho, disse que tentou sair do quarto várias vezes, mas ele agarrou sua mão e acabou levando-a para a cama, onde ele abaixou as calças dela e a forçou a fazer sexo.

“Ele sempre me agarra e me leva para a cama. Parece uma armadilha”, disse ela no depoimento obtido pelo WSJ, acrescentando que, quando Khan a agrediu sexualmente, ele nunca usou preservativo.

A advogada trabalhou no tribunal criminal por seis anos antes de se juntar à equipe de Khan em 2023. Ela disse que o assédio começou antes mesmo disso, em março de 2023, durante uma viagem de trabalho a Londres, quando ele tentou agarrar sua mão. Além do incidente em Nova York, ela disse que Khan também a agrediu ou assediou sexualmente na Colômbia, em Kinshasa, no Congo, no Chade, em Paris e em Haia.

Os ataques continuaram mesmo depois daquele incidente em Nova York. Ela disse que em abril de 2024, enquanto estavam em Caracas, na Venezuela, Khan bateu na porta do seu quarto de hotel às 3 da manhã. Ela fingiu estar dormindo. Um dia depois, quando já estavam em Bogotá, na Colômbia, ela o evitou, alegando que não estava se sentindo bem. Mas Khan ainda foi ao quarto dela, deitou-se ao lado dela na cama e, de acordo com seu depoimento detalhado aos investigadores da ONU, ele a agrediu sexualmente. “Não me mexi um centímetro”, ela disse.

Em 29 de abril de 2024, a reclamante revelou os incidentes em uma conversa com Thomas Lynch, um conselheiro americano próximo de Khan, e outra pessoa. Ela disse, em lágrimas, que Khan havia abusado sexualmente dela por vários meses e que ela não aguentava mais. 

Poucos dias depois, Lynch e outros dois assessores confrontaram Khan com as informações que haviam recebido, dizendo-lhe que reportariam as alegações ao escritório de recursos humanos do tribunal.

De acordo com pessoas familiarizadas com a conversa, Khan primeiro respondeu: “Terei que renunciar”; e depois acrescentou: “Mas aí as pessoas vão pensar que estou fugindo da [questão da] Palestina.”

Em 5 de maio de 2024, a Agência de Investigações Internas do Tribunal Criminal contatou a reclamante, mas ela se recusou a cooperar e não confirmou nem negou as agressões sexuais.

De acordo com a reportagem, e com base em mensagens de texto enviadas pela reclamante e em seu depoimento aos investigadores da ONU, após ela levantar as acusações contra ele, Khan a abordou diversas vezes no escritório e, em lágrimas, falou: “Diga-me se devo renunciar. Pense nos mandados de prisão.”

Em um telefonema em outubro, ele a alertou sobre as consequências de continuar a investigação:

“As vítimas serão três — você e sua família, eu e minha família, e justiça para as vítimas [da guerra na Faixa de Gaza].”

Ela testemunhou que Khan e seu advogado pediram repetidamente que ela fornecesse uma declaração negando as alegações.

Segundo o Wall Street Journal, a denunciante contou aos investigadores da ONU que havia relatado a Khan que estava tendo pensamentos suicidas. Ele, de acordo com o depoimento dela, demonstrou preocupação e a deixou por algumas semanas, mas depois voltou a assediá-la.

Em agosto de 2024, ela ficou mais desesperada devido à pressão contínua para negar que algo tivesse acontecido e então recorreu aos membros do conselho executivo do tribunal.

“Eu resisti o máximo que pude porque não queria atrapalhar os mandados de prisão”, disse aos investigadores.

De acordo com seu depoimento, houve vários motivos para a decisão de não denunciar as agressões sexuais de Khan antes:

– seu medo de perder o emprego; 

– ela estava preocupada que não conseguiria pagar as contas médicas de sua mãe, que tinha câncer; 

– seu medo de vingança de Khan; 

– e sendo uma muçulmana que apoiou a investigação sobre Netanyahu, Galant e o Hamas, não queria atrapalhar a emissão de mandados de prisão.

Enquanto o gabinete de Khan considerava emitir os mandados de prisão, ele planejava uma visita importante a Israel e à Faixa de Gaza. Autoridades americanas, incluindo o então Secretário de Estado, Anthony Blinken, e o Conselheiro de Segurança Nacional da época, Jake Sullivan, pressionaram Israel a permitir sua entrada, porque viam essa visita como fundamental para convencê-lo de que os mandados de prisão não eram o passo certo.

Khan argumentou a Blinken que o sistema legal israelense tem “zonas mortas”, particularmente em relação à questão de se Israel está bloqueando intencionalmente o fornecimento de ajuda humanitária. Blinken disse que os Estados Unidos estavam pressionando Israel para permitir a entrada de ajuda e que os mandados de prisão não ajudariam nisso. Ele também alertou Khan de que as ordens dificultariam o acordo sobre os reféns. Mas o que não se sabia na época era que, ao conversar com Blinken, Khan descobriu que havia acusações de agressão sexual contra ele.

Algumas semanas depois de saber que uma investigação interna havia sido iniciada sobre o assunto, Khan apresentou pedidos de prisão de Netanyahu e Galant, entre outras coisas, por crimes de guerra e crimes contra a humanidade. 

A decisão gerou críticas generalizadas nos Estados Unidos e em Israel, e Khan cancelou abruptamente uma visita planejada a Israel e Gaza um dia antes do anúncio dos mandados de prisão. A decisão foi incomum na história do tribunal. Esta foi a primeira vez que um mandado de prisão foi emitido contra o líder de um país democrático afiliado ao Ocidente.

Khan, por meio de seus advogados, negou veementemente as acusações. “É categoricamente falso que ele tenha se envolvido em qualquer tipo de conduta sexual imprópria”, disseram eles ao Wall Street Journal. O promotor-chefe alegou que as acusações contra ele faziam parte de um esforço mais amplo para sabotar o tribunal e negou qualquer conexão entre sua decisão de emitir mandados de prisão contra Netanyahu e Galant, e as mesmas acusações de agressão sexual.

A esposa de Khan negou ter tentado ameaçar Lynch, e seus advogados alegaram que o fato de o TPI ter encerrado sua investigação interna antes de indiciá-lo mostrou que não havia conexão entre os dois episódios.

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Comentários (1)

MARCOS

11.05.2025 15:33

DESCULPE MAS ESSA HISTÓRIA NÃO COLA.


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MARCOS

11.05.2025 15:33

DESCULPE MAS ESSA HISTÓRIA NÃO COLA.



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