Wilson Pedroso na Crusoé: O silêncio como método
Para os manifestantes iranianos, a mensagem é cruel: vocês estão sozinhos.
Cerca de 2 mil pessoas morreram no Irã desde o início dos protestos contra o regime.
A resposta do governo foi desligar completamente a internet, endurecer a repressão nas ruas e empurrar a violência para longe dos olhos do mundo. Nada disso é exatamente surpreendente.
O que realmente importa não está acontecendo dentro do Irã, mas fora dele: a forma como a comunidade internacional escolhe reagir ou fingir que não vê essa brutalidade.
A comparação com outras crises recentes é inevitável. Quando a Rússia invadiu a Ucrânia, a reação do Ocidente foi imediata e coordenada.
Sanções pesadas, dezenas de bilhões em ajuda militar, cobertura midiática permanente e discursos inflamados sobre democracia e soberania.
No caso iraniano, mesmo com milhares de mortos, o que se vê são comunicados diplomáticos genéricos, nenhuma sanção nova relevante e um silêncio constrangedor da grande imprensa internacional.
A pergunta não é se há diferença. É por que ela existe.
Essa diferença não tem relação com o número de vítimas nem com a gravidade das violações.
É cálculo geopolítico puro.
O Irã controla…
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