Weinstein escapa de nova condenação após júri dividido
Terceiro julgamento pelo mesmo caso termina sem veredicto unânime; produtor permanece preso na Califórnia
O júri do tribunal de Manhattan não chegou a um veredicto unânime pela segunda vez consecutiva no caso envolvendo o ex-produtor de cinema Harvey Weinstein e a atriz Jessica Mann, o que levou o juiz responsável pelo processo a declarar a nulidade do julgamento nesta sexta-feira, 15.
Segundo o promotor do distrito de Manhattan, Alvin Bragg, a incapacidade do júri de convergir para uma decisão inviabilizou a continuidade do processo, que acusava Weinstein de agressão sexual contra Mann.
Histórico de tentativas frustradas
De acordo com informações divulgadas pela AFP, este foi o terceiro episódio em que Mann prestou depoimento contra Weinstein. Em 2020, uma primeira condenação foi invalidada por irregularidades na condução de testemunhas.
Em 2025, um segundo processo foi encerrado por divergências internas entre os membros do júri. No julgamento mais recente, a defesa afirmou — sem que a AFP pudesse confirmar de forma independente — que nove dos doze jurados se inclinavam pela absolvição.
Em comunicado, Bragg reconheceu o encerramento sem veredicto, mas destacou a trajetória da acusadora: “Durante quase uma década, Jessica Mann lutou por justiça”.
O porta-voz de Weinstein, Judah Engelmayer, foi além e cobrou o fim dos processos: “A Promotoria de Manhattan deveria parar de julgar o mesmo caso repetidas vezes e concentrar seu tempo e os recursos dos contribuintes nos verdadeiros crimes violentos”.
Condenações anteriores mantêm produtor atrás das grades
A nulidade declarada nesta sexta não altera a situação carcerária de Weinstein, de 74 anos. Ele cumpre pena de 16 anos na Califórnia pelo estupro de uma atriz europeia. Em junho de 2025, foi também condenado por agressão sexual contra a produtora Miriam Haley. Ambas as condenações estão sendo contestadas por meio de recursos.
O caso de Weinstein ganhou dimensão global a partir de 2017, quando reportagens do jornal The New York Times e da revista The New Yorker reuniram relatos de diversas mulheres sobre supostos abusos cometidos pelo produtor ao longo de anos.
Segundo a AFP, mais de 80 denunciantes vieram a público, e o escândalo impulsionou o movimento #MeToo em escala internacional.
Durante o julgamento encerrado hoje, Mann descreveu como Weinstein se aproximou dela no início de 2013, quando ela tinha 27 anos e buscava espaço como atriz. “Ele disse que eu era mais bonita que Natalie Portman”, relatou ao júri, com a voz embargada em vários momentos do depoimento.
Não há confirmação, até o momento, sobre a intenção do Ministério Público de levar o caso a um quarto julgamento.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)